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Mercado de luxo no Brasil deve atingir faturamento de R$ 120 bilhões em 2026

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista no E-commerce Brasil, graduada pela Universidade Nove de Julho e apaixonada por comunicação.

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O setor de luxo no Brasil consolidou uma trajetória de crescimento robusto, superando a barreira simbólica de R$ 100 bilhões em faturamento no último ano. Após registrar R$ 98 bilhões em 2024, segundo dados da Bain & Company, o segmento avançou cerca de 7% em 2025, aproximando-se da marca de R$ 105 bilhões. Projeções de especialistas como Marcelo Chirico indicam que, em 2026, o mercado pode oscilar entre R$ 120 bilhões e R$ 130 bilhões, evidenciando uma expansão acelerada se comparado aos R$ 41 bilhões registrados em 2024.

Pingentes de luxo de bolsas
(Imagem: reprodução)

Entre 2022 e 2024, o crescimento médio anual do luxo no país foi de 12%, um índice quatro vezes superior à média mundial de 3%. Os subsegmentos que sustentam esse desempenho são Moda e Itens Pessoais, Imóveis e Automóveis, cada um movimentando aproximadamente R$ 21 bilhões em 2024. Os setores de Saúde, com R$ 14 bilhões, e Aviação, com R$ 6 bilhões, completam o ranking das categorias mais representativas.

Embora o desempenho do setor supere os indicadores do varejo tradicional, a operação de luxo no Brasil enfrenta obstáculos estruturais. A pressão cambial e a elevada carga tributária sobre itens importados e supérfluos permanecem como os principais gargalos. Especialistas apontam que a concretização de acordos internacionais, como o pacto entre Mercosul e União Europeia, pode ser o gatilho necessário para aliviar as tarifas e impulsionar ainda mais o consumo nos próximos anos.

Em termos de evolução percentual, o destaque fica para o setor de Automóveis, que cresceu 18%, seguido por Hotéis e Experiências com 16%, e Saúde com 15%. Segmentos como Imóveis (13%) e Iates (12%) também apresentaram expansão acima de dois dígitos, refletindo a resiliência do capital de alta renda frente às oscilações econômicas.

O perfil do consumidor premium e a força da geração prateada

Um estudo recente da Serasa Experian, realizado via plataforma Insights Hub, identificou a existência de 7,5 milhões de clientes premium no território nacional. Um dado relevante para as estratégias de marketing e e-commerce é a composição etária: metade desses consumidores possui mais de 49 anos. A chamada Geração Prateada demonstra alta capacidade de gasto e um comportamento de compra que une sofisticação ao planejamento financeiro.

O perfil predominante nesse grupo é composto por homens (56%), sendo que 57% possuem renda mensal superior a R$ 10 mil. Além disso, 76% utilizam cartões de crédito de categorias exclusivas e 64% possuem o hábito de investir. Segundo Gustavo Monteiro, diretor da datatech responsável pelo estudo, entender as motivações de estilo de vida desse público é fundamental para ir além da simples análise do poder de compra, permitindo uma abordagem de vendas mais personalizada e assertiva.

Transparência e escassez de mão de obra qualificada

Apesar do otimismo financeiro, o mercado de luxo lida com uma crise de talentos. O relatório Future of Luxury 2025 revela que 47% dos principais executivos do setor na Europa consideram a falta de mão de obra qualificada um dos maiores estressores da cadeia de suprimentos. Essa escassez impacta diretamente a qualidade do atendimento e a exclusividade prometida pelas marcas.

Outro ponto de atenção para os gestores é a crescente exigência por transparência nos processos produtivos. Relatórios de inteligência cultural indicam que o consumidor atual demanda saber o que ocorre nos bastidores das grandes grifes. Casos de disparidade entre o valor final do produto e a remuneração de fornecedores na base da cadeia têm gerado crises de reputação, reforçando que a integridade ética tornou-se um ativo tão valioso quanto o design ou a qualidade do material no mercado de alto padrão.