Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou nesta sexta-feira, 9, o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a formação da maior zona de livre comércio do mundo. O texto inclui cláusulas voltadas a mitigar a resistência de agricultores europeus, um dos principais focos de oposição ao tratado ao longo das discussões.

Avanço político em meio a tensões internacionais
A ratificação é vista como um movimento estratégico da UE em um cenário de relações transatlânticas mais instáveis sob o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, vinha defendendo a aprovação acelerada do acordo desde o encerramento das negociações com os países do Mercosul Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, concluídas em dezembro de 2024.
Apesar do aval, o tratado ainda enfrenta resistência de alguns Estados-membros. Irlanda e França manifestaram preocupação com possíveis impactos econômicos sobre seus agricultores. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que, embora reconheça os avanços alcançados nas negociações, ainda não há garantias de que os produtores do país não sofram pressões excessivas com a eventual ratificação do acordo.
Na prática, o pacto prevê a eliminação de tarifas sobre produtos europeus, como carros e vinhos, ao mesmo tempo em que amplia o acesso de produtos agrícolas sul-americanos ao mercado europeu. Entre eles, a carne bovina aparece como um dos principais itens beneficiados, tema que concentra parte significativa das preocupações do setor agrícola na Europa.