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Brasileiro usa IA na rotina, mas evita tecnologia ao fechar compras

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista no E-commerce Brasil, graduada pela Universidade Nove de Julho e apaixonada por comunicação.

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Embora a Inteligência Artificial já faça parte do cotidiano de quase todos os brasileiros para pesquisas e criação de conteúdos, o impacto direto no fechamento de negócios ainda enfrenta barreiras. De acordo com um levantamento da Bare International, 73,9% dos consumidores não utilizam ferramentas de IA para pesquisar, comparar ou decidir uma compra.

Adoção de IA avança no varejo e muda foco para eficiência
(Imagem: Envato)

O cenário revela um público que, apesar de familiarizado com a tecnologia, ainda não a adotou como consultora de consumo. Entre os 26% que já utilizam a IA nesse contexto, os principais objetivos são encontrar promoções (28%), comparar preços (26%), buscar informações técnicas (21%) e receber recomendações personalizadas (16%).

A convivência entre o novo e o tradicional

A pesquisa aponta que a tecnologia funciona como uma camada adicional de suporte, sem substituir os métodos tradicionais. Cerca de 56% dos consumidores optam por combinar ferramentas de IA com motores de busca convencionais, como Google e Bing. Para o usuário, o papel ideal da inteligência artificial no e-commerce seria facilitar a comparação de preços de forma objetiva (40%), oferecer recomendações detalhadas (21%) e solucionar dúvidas sem burocracia (20%).

Para Pedro Venturini, Country Manager da Bare International Brasil, a percepção atual é de que a IA serve como aliada da racionalidade de compra. Ele observa que o mercado demanda uma tecnologia que simplifique as escolhas e ofereça clareza, em vez de substituir completamente a interação humana.

Barreiras de segurança e privacidade de dados

Apesar da curiosidade em torno da inovação, a jornada de compra via IA é acompanhada por receios significativos. O medo de golpes e links fraudulentos lidera as preocupações (23%), seguido por dúvidas sobre a precisão das informações fornecidas pela máquina (22%) e incertezas quanto à privacidade de dados pessoais (19%).

Esses dados contrastam com o alto nível de conhecimento teórico: 99% dos entrevistados afirmam saber o que é Inteligência Artificial e mais de 90% já experimentaram múltiplas plataformas. A combinação entre ChatGPT e Gemini é a mais frequente entre os brasileiros, sendo que 72% utilizam apenas as versões gratuitas dessas ferramentas.

A Inteligência Artificial já rompeu as barreiras do ambiente de trabalho. Cerca de 72% dos usuários afirmam utilizar a tecnologia tanto na vida pessoal quanto na profissional. No ambiente corporativo, o ChatGPT detém a hegemonia com 75% de preferência, índice similar ao uso estritamente pessoal (76%).

O levantamento conclui que o consumidor brasileiro vive um estágio de transição. Embora a IA já organize tarefas e acelere a busca por informações, o setor de varejo e e-commerce ainda precisa amadurecer a percepção de segurança e precisão para que a tecnologia se torne um fator decisivo no momento da conversão.