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Setor farmacêutico projeta investimento de R$ 1 bilhão em inteligência artificial

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista no E-commerce Brasil, graduada pela Universidade Nove de Julho e apaixonada por comunicação.

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O mercado brasileiro de farmácias e drogarias inicia um ciclo de modernização tecnológica sem precedentes, com a inteligência artificial (IA) posicionada como o pilar central das operações para a próxima década. Segundo projeções da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), detalhadas pelo CEO Sergio Mena Barreto em entrevista ao videocast DC NEWS TALKS, o setor deve investir aproximadamente R$ 1 bilhão em tecnologias de IA nos próximos dez anos.

Inteligência artificial em redes de farmácias
(Imagem: reprodução)

O aporte financeiro reflete a necessidade de otimização em um segmento que apresenta expansão acelerada.

Desempenho operacional e transição para hubs de saúde

A relevância do setor no varejo nacional é sustentada por números expressivos de atendimento. Esse fluxo intenso de consumidores impulsiona a transformação das farmácias em hubs de saúde, onde a oferta de serviços vai além da comercialização de medicamentos, incluindo orientações farmacêuticas e check-ups rápidos.

A implementação da IA visa reduzir fricções na jornada de compra e padronizar fluxos operacionais. Com a tecnologia, espera-se uma gestão de sortimento mais eficiente, diferenciando o canal farma de outros competidores, como os supermercados, pela profundidade de categorias específicas de higiene e beleza. Além disso, a digitalização permitirá o monitoramento do histórico do paciente e a integração de dados para uma atenção primária mais eficaz.

Desafios regulatórios e integração com o sistema de saúde

A evolução para o modelo de hubs de saúde demanda avanços em protocolos e regulamentações. O setor busca uma integração mais profunda com as redes pública e privada de saúde, defendendo que a capilaridade das farmácias é um recurso subutilizado no sistema nacional. A tecnologia de informação surge, portanto, como a ferramenta necessária para conectar essas unidades aos fluxos de atendimento ao paciente.

Entretanto, a velocidade da adoção digital gera disparidades no mercado. Enquanto as grandes redes aproveitam sua escala para implementar soluções avançadas, empresas de menor porte enfrentam o desafio de manter a competitividade diante dos altos custos de infraestrutura e capacitação técnica.

Um dos pontos críticos discutidos pelo setor refere-se à expansão das vendas digitais e à atuação dos marketplaces. A Abrafarma alerta para o risco à saúde pública decorrente da comercialização de produtos sem registro sanitário em plataformas online. O setor defende que a venda de medicamentos deve ser restrita a estabelecimentos farmacêuticos autorizados, que operam sob rígidas normas da Anvisa.

A falta de fiscalização sobre vendedores informais em grandes plataformas de e-commerce é vista como um fator de concorrência desleal e uma fragilidade para o mercado formal. O setor farmacêutico pleiteia responsabilidades mais claras para os marketplaces sobre o controle de itens vendidos, visando garantir a segurança e a eficácia dos produtos que chegam ao consumidor final.

Marque na agenda: Congresso Saúde e Farma 2026

As principais tendências e os detalhes desse plano bilionário de investimentos serão o centro das atenções no Congresso Saúde e Farma. O encontro, promovido pelo E-commerce Brasil, acontece no dia 4 de fevereiro, no Hotel Unique, em São Paulo. É o momento ideal para que os líderes do varejo e da tecnologia discutam regulação, inovação e o futuro das farmácias no ambiente digital.