O consumo das famílias brasileiras, principal motor do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma desaceleração acentuada em 2025. Após um avanço expressivo de 5,1% em 2024, o indicador fechou o ano passado com alta de apenas 1,3%, o desempenho mais baixo desde a retração observada em 2020. Os dados, divulgados pelo IBGE, confirmam o impacto da política monetária restritiva sobre o poder de compra e o crédito.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora do IBGE, o cenário é fruto de uma combinação de fatores adversos, com destaque para a taxa Selic mantida em 15% ao ano desde junho de 2025. O custo elevado do dinheiro, somado ao endividamento recorde da população, freou o ímpeto de consumo no segundo semestre, levando o indicador à estagnação no quarto trimestre do ano.
Sustentação pelo mercado de trabalho e renda
Embora o crescimento tenha perdido fôlego, o consumo não entrou em terreno negativo graças à resiliência de indicadores sociais e econômicos:
- Emprego: Desemprego em níveis mínimos históricos.
- Massa Salarial: Recordes na renda média do trabalhador.
- Apoio Governamental: Programas de transferência de renda e expansão do crédito garantiram que o índice se mantivesse acima de zero.
O investimento (Formação Bruta de Capital Fixo) também seguiu a tendência de arrefecimento, passando de uma alta de 6,9% em 2024 para 2,9% em 2025. O IBGE destaca que o setor de construção e o desenvolvimento de softwares conseguiram compensar a queda na produção nacional de máquinas e equipamentos, que foi severamente afetada pelos juros altos.
A taxa de investimento encerrou o ano em 16,8% do PIB, uma leve oscilação negativa frente aos 16,9% do ano anterior. Pela ótica da demanda, o PIB de 2025 foi moldado por uma postura mais cautelosa das empresas e das famílias, equilibrando a balança entre a estabilidade do mercado de trabalho e as restrições severas do crédito bancário.