O Pix transformou o modo de pagar e receber dos brasileiros ao estabelecer um padrão de transação financeira baseado em instantaneidade e acessibilidade. Além de revolucionar a rotina de pessoas e empresas, posicionou o Brasil na vanguarda da inovação tecnológica, a ponto de inspirar outros países, como Colômbia e China.

Por aqui, já são mais de 175 milhões de usuários (160 milhões de pessoas físicas e 16 milhões de pessoas jurídicas), os quais movimentam juntos R$ 1,66 trilhão em setembro de 2025, um novo recorde para o sistema de pagamentos instantâneo, conforme dados do Banco Central.
Porém, não só os números surpreendem. Na jornada de evolução do Pix, a solução abriu caminho para uma impactante onda de inovação financeira ao potencializar o uso e aplicação do Open Finance, pagamentos recorrentes, embedded finance e até mesmo da IA.
Não há dúvidas de que o futuro dos pagamentos passa pelo Pix. Mas o que está por vir e qual o impacto para o seu negócio? Descubra!
Por que o Brasil é o laboratório global de inovação financeira?
Ambiente regulatório favorável, necessidade de promover a inclusão financeira, interesse em adotar novas tecnologias e reconhecimento internacional são características que destacam nosso país dos demais e o posicionam como exemplo de um sistema financeiro a ser seguido. Além disso, há liderança em diversos projetos, como Pix, Open Finance e Drex.
Inclusive, o Banco Central do Brasil se consolidou como um dos órgãos reguladores mais inovadores do mundo ao adotar medidas que não são comuns em outras grandes economias.
Um exemplo é o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT), que, em parceria com a Fenasbac, Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central do Brasil, tem por objetivo fomentar a inovação no Sistema Financeiro Nacional.
Desde 2018, a iniciativa estimula o desenvolvimento de protótipos de soluções financeiras para diferentes focos, como empresas, pessoas e análise de dados públicos.
O crescimento do Pix é outro ótimo exemplo, em especial por promover a inclusão bancária e democratizar o setor de pagamentos.
Durante o Zoop Summit 2025, Álvaro Dias, sócio do Instituto Locomotiva, destacou que 76% dos desbancarizados puros (pessoas que não têm conta em nenhum banco, o que totaliza 11 milhões de indivíduos) usam apenas o Pix para pagar e receber.
Para essas pessoas, o sistema de pagamentos instantâneo “define a natureza transacional da relação financeira que a pessoa estabelece”, palavras de Álvaro Dias.
Outro dado interessante que apresentou foi que 74% das pessoas que fazem parte da população de baixa renda preferem usar esse sistema ao dinheiro físico. Além disso, quanto menor for a condição financeira, mais dificuldades têm com boletos, o que torna o Pix ainda mais vantajoso.
Em quais outros pontos o Brasil promove a inovação financeira?
As iniciativas do Banco Central criam um cenário competitivo e favorável para a entrada de novos players, fintechs e bancos digitais. A Resolução Conjunta nº 6, de 23 de maio de 2023, por exemplo, estabeleceu as regras para o compartilhamento obrigatório de dados e serviços no âmbito do Open Finance.
Essa medida garantiu que novos participantes tivessem acesso às mesmas informações transacionais que os bancos tradicionais, o que estimulou a concorrência na oferta de produtos e serviços personalizados.
Além disso, a criação da figura da Instituição de Pagamento (IP) simplificou o processo regulatório para fintechs que desejam operar somente com serviços de pagamento sem a necessidade de constituir um banco tradicional.
Essa diferenciação permitiu que inúmeros novos players ingressassem no mercado com dedicação à inovação e experiência do usuário, o que acelerou a democratização do acesso a serviços financeiros modernos e eficientes.
Como está o crescimento do Pix?
O sistema de pagamentos instantâneo registra bilhões de transações mensais e já se consolidou como o principal meio de transferência e pagamento do país, fundamental na digitalização da economia. Praticidade, rapidez, dinamismo, baixo custo e segurança são alguns dos motivos que o tornam o método preferido dos brasileiros.
De acordo com a Pesquisa de Tecnologia Bancária 2025 - Vol. 2, da Febraban, 2024 fechou com 63,4 bilhões de transações via Pix, da seguinte forma:
- 25.397 por chaves;
- 19.379 por QR Code dinâmico;
- 4.577 por QR Code estático;
- 6.737 por inserção manual;
- 1.453 por iniciador de pagamento.
O levantamento Meios de Pagamento 2025, do Opinion Box também revelou dados interessantes sobre o crescimento do Pix:
- 87% dos entrevistados o utilizam para realizar compras, o que posiciona o sistema no primeiro lugar desse ranking;
- 47% das pessoas têm chave cadastrada em três ou mais bancos;
- 88% afirmam que o sistema de pagamentos instantâneo mudou para melhor a forma como pagam compras no dia a dia.
Entre os motivos de preferir esse método em vez de outros estão:
- agilidade e valor liberado na hora (70%);
- ausência de taxas (67%);
- facilidade de movimentação entre as próprias contas (53%).
No que se refere às aplicações no varejo:
- 58% usam para pagar compras em lojas físicas;
- 57% para pagamentos de compras via internet.
Esses números comprovam não apenas o crescimento do Pix em uso e adesão, mas também seu importante papel na inovação financeira e na maneira com que as pessoas se relacionam com o dinheiro e pagamentos digitais.
Evolução do Pix: quando foi o ponto de virada?
O sistema de pagamentos instantâneo transformou esse mercado devido às suas principais características: possibilidade de realização de transações financeiras 24/7 sem intermediários caros, com segurança e aprovação das operações em até 10 segundos. Esse mecanismo, totalmente diferente dos outros métodos, despertou o interesse de pessoas físicas e jurídicas.
A evolução do Pix também se deve ao fato de esse sistema impulsionar os pagamentos mobile, por meio de recursos, como leitura de QR Codes e aproximação de dispositivos móveis com tecnologia NFC.
O Pix por Aproximação, por exemplo, elimina a fricção de copiar/colar chaves, o que reduz o tempo do checkout e erros na hora de pagar.
Além dessa função, há diversas outras que comprovam a evolução do Pix ao longo dos anos, como o Pix Recorrente, Pix Agendado e Pix Automático.
Cada um, conforme suas características e finalidades, causa impactos econômicos importantes para empresas e clientes, como redução de custos operacionais, aumento da liquidez e estímulo à formalização.
O que é Pix Automático, Pix Agendado e qual o papel de cada solução?
Ambos são funcionalidades do sistema de pagamentos instantâneo e têm como objetivo comum ampliar a forma de uso desse método. O agendamento promove a conveniência em fluxos pontuais programáveis. Já a automação otimiza e aprimora a gestão de cobranças recorrentes e beneficia quem paga e quem recebe.
O Pix Agendado permite ao usuário definir uma data futura para a realização de uma transferência instantânea, como o envio de dinheiro para outra pessoa. O agendamento é único e o valor pode ser modificado a cada nova operação.
Há também o Pix Agendado Recorrente, no qual a definição da frequência de pagamento ocorre entre o titular da conta e o banco. Nesse caso, o valor precisa ser fixo, como o pagamento de um aluguel ou mensalidade.
Já o Pix Automático é uma funcionalidade que autoriza um usuário a realizar pagamentos recorrentes de forma programada e automática. É o formato ideal para assinaturas e contas de consumo, como água e luz, pois facilita a gestão financeira pessoal e evita esquecimentos.
Para utilizar essa funcionalidade, o titular da conta precisa autorizar a cobrança da empresa credora, a qual define o valor (que pode ser fixo ou não) e a quantidade de parcelas.
Entender o que é Pix Automático e Pix Agendado é importante para disponibilizar aos clientes mais opções de pagamento, o que ajuda a aumentar a conversão, atender diferentes grupos de consumidores e diminuir a inadimplência.
O que é Pix Recorrente e por que é o novo estágio da experiência financeira?
Trata-se de um modelo de cobrança automática e periódica para um produto ou serviço, como mensalidades de academias, assinaturas de software, plataformas de streaming ou planos de saúde. O fluxo acontece pelo sistema de pagamentos instantâneo com a mesma praticidade, segurança e sequência de transferência.
O Pix Recorrente é uma alternativa para empresas que efetuam cobranças periódicas dos clientes, a exemplo de serviços por assinatura. Seu funcionamento é semelhante ao débito automático e à cobrança em fatura no cartão de crédito, com a diferença de que utiliza a infraestrutura instantânea, o que afeta a liquidez.
Essa forma de pagamento substitui com precisão métodos de recorrência tradicionais, a exemplo do boleto bancário, e traz para as empresas diversas vantagens, como:
- previsibilidade de faturamento;
- redução da taxa de inadimplência;
- aumento do nível de satisfação dos clientes pela conveniência.
Para os clientes, oferece experiências fluídas, rápidas e sem atrito.
Além disso, compreender o que é Pix Recorrente é uma decisão estratégica. Afinal, a liberação do valor acontece em menos tempo em comparação a outros métodos, como o boleto bancário (geralmente, em D+1, conforme a plataforma de pagamentos que a empresa utiliza).
Essa agilidade ajuda a melhorar a gestão financeira e a garantir um bom fluxo de caixa para o negócio.
Pagamento recorrente: como impacta clientes e empresas?
Previsibilidade de receita, redução de custos operacionais decorrentes de processos de cobrança e diminuição da taxa de inadimplência são os principais benefícios para quem vende. Do ponto de vista de quem compra, o destaque fica para a conveniência, praticidade, transparência e aprimoramento da experiência de consumo.
Segundo dados de 2025 da Abecs, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, os pagamentos recorrentes com cartão cresceram 89% nos últimos dois anos.
No que se refere ao uso dessa função via Pix, ainda não há dados consolidados, visto que o Banco Central liberou a ferramenta oficialmente em junho de 2025.
Contudo, vale destacar que, apesar da predileção dos brasileiros pelo sistema de pagamentos instantâneo, os cartões de crédito ainda ocupam importante lugar na rotina de compras.
A pesquisa do Opinion Box mostrou que o Pix é o mais utilizado. Entretanto, o cartão de crédito ainda é o preferido (52% contra 26% do Pix). No caso, os brasileiros usam esse método principalmente para parcelamento (47%) e pagamentos por aproximação (81%).
Logo, entende-se que oferecer pagamento recorrente via cartão de crédito é uma ótima maneira de atender às preferências dos consumidores e evitar a perda de vendas devido a limitações na hora de pagar.
Qual o diferencial do Pix Recorrente com IA?
A Inteligência Artificial tem a capacidade de deixar as cobranças periódicas mais precisas e seguras, por meio de um fluxo adaptativo e inteligente. Essa tecnologia pode, por exemplo, analisar o padrão de consumo do usuário para otimizar a data da cobrança, prevenir fraudes nos agendamentos e personalizar ofertas de serviços.
O funcionamento do Pix Recorrente com IA é outra forma de inovação financeira, pois transcende a simples automação do pagamento.
Enquanto o Pix Automático se concentra na autorização do débito em si, a IA adiciona uma camada de inteligência e flexibilidade, essencial para elevar a qualidade do serviço no mercado de cobranças recorrentes.
A tecnologia é capaz de analisar o histórico de entradas e saídas de recursos do cliente e, assim, prever a probabilidade de saldo insuficiente, por exemplo.
Por meio desse recurso, também é possível criar avisos inteligentes, em vez de somente rejeitar o débito, e adaptar os vencimentos, para melhorar a experiência do cliente e evitar inadimplência.
No que se refere à segurança, o Pix Recorrente com IA atua de forma preventiva, por meio de diferentes análises, como comportamentos atípicos nas autorizações de débito e autorização de múltiplas cobranças em um mesmo período.
Dessa forma, ajuda a evitar golpes que afetam tanto a rotina da empresa credora quanto do cliente pagador.
Pix com IA: o que esperar dessa junção?
A inclusão da Inteligência Artificial no sistema de pagamentos instantâneo ajuda a elevar os padrões de segurança, com detecção de fraudes em tempo real, a personalizar a oferta de produtos financeiros e a aumentar a conveniência nas transações comerciais. O resultado esperado é o aprimoramento do relacionamento com o cliente.
O Pix com IA é mais um passo rumo ao futuro dos pagamentos. O grande volume de dados que o sistema gera, decorrente dos bilhões de transações que executa, é o combustível ideal para os algoritmos de Inteligência Artificial.
Com essa base, conseguem entregar a bancos, fintechs e empresas financeiras informações relevantes e confiáveis para aprimorar os seus serviços por meio da hiperpersonalização.
No que se refere ao aumento da segurança, algoritmos de aprendizado de máquina (Machine Learning) monitoram padrões comportamentais do usuário em tempo real.
Se uma transferência destoa drasticamente do histórico (por exemplo, um valor muito alto para um beneficiário novo em um horário incomum), a IA pode sinalizar a operação como potencial fraude, solicitar autenticação adicional ou bloquear a transação preventivamente.
Essa capacidade de detecção proativa é essencial para manter a confiança no sistema de pagamentos instantâneo e proteger tanto a empresa quanto os consumidores de golpes.
A soma de todas as possibilidades do Pix com IA aprimora a experiência do cliente ao tornar os serviços financeiros proativos e intuitivos.
Como o pagamento digital com IA afeta a experiência e o comportamento do consumidor?
A Inteligência Artificial (IA) ajuda a refinar a experiência de compra. No checkout, por exemplo, pode analisar o histórico do cliente e os produtos que escolheu para sugerir a forma de pagamento mais adequada. Assim, simplifica a decisão e diminui o risco de abandono de carrinho.
Entretanto, o pagamento digital com IA, ou mesmo sem a aplicação dessa tecnologia para aprimoramento, é uma oferta essencial aos clientes, pois ajuda a reduzir fricções, gerar mais conversões de vendas e fidelização.
As wallets digitais, por exemplo, armazenam dados de pagamento tokenizados e chaves Pix, e permitem que o cliente finalize a compra com poucos cliques, sem a necessidade de preenchimento repetitivo de formulários, o que é vital para a agilidade no e-commerce.
O Pix por Aproximação e links de pagamento eliminam a necessidade de digitar informações ou escanear QR Codes. Assim, oferecem soluções de pagamento de baixo atrito tanto para o varejo físico quanto para vendas via redes sociais e chatbots.
O fato é que diversificar os meios de pagamento, especialmente em datas como a Black Friday, é um dos segredos para garantir que o consumidor encontre a opção preferida na hora do checkout, o que ajuda a loja a converter, atrair e fidelizar muito mais.
Inovação financeira: qual o papel do Open Finance, Embedded Finance, IA e Banking as a Service?
Todas essas soluções têm em comum uma infraestrutura digital robusta, a qual é integrável entre si, o que favorece a entrega de soluções melhores, mais modernas, dinâmicas, precisas e seguras para clientes e empresas. Também favorecem a personalização, o aperfeiçoamento de experiências e a redução de custos.
O Open Finance (Sistema Financeiro Aberto) permite que os clientes compartilhem seus dados financeiros com segurança e de maneira padronizada entre diferentes instituições. Essa possibilidade quebra o monopólio da informação e alimenta o motor da personalização.
Com acesso ao histórico de transações via Pix, por exemplo, as empresas conseguem construir perfis de risco e necessidades muito mais precisos, o que resulta em produtos financeiros (como crédito e investimentos) mais justos e sob medida.
Já a distribuição de serviços financeiros foi transformada pelo Embedded Finance (Finanças Embutidas) e pelo Banking as a Service (BaaS).
O BaaS permite que qualquer empresa, mesmo que não seja nativa desse setor, se torne um banco digital completo, com a oferta de serviços financeiros próprios, por meio da tecnologia e estrutura de um parceiro regulamentado, como uma fintech.
Já o Embedded Finance é o resultado dessa operação, pois consiste na integração de serviços financeiros na plataforma já existente de um negócio, independentemente do segmento.
Grandes companhias, como Magazine Luiza, Mercado Livre e iFood, já oferecem a clientes e parceiros de negócio contas digitais, cartão de crédito e Pix diretamente em seus aplicativos.
Em suma, Open Finance, Embedded Finance e Banking as a Service representam a democratização da oferta de serviços financeiros e a entrega de produtos muito mais personalizados.
Com ajuda da IA, o ecossistema financeiro ganha a camada de inteligência necessária para analisar o grande volume de dados e, assim, criar produtos e serviços relevantes, rápidos e, o mais importante, seguros.
Futuro do Pix: quais os novos desafios?
O Banco Central adota, constantemente, medidas para manter o equilíbrio entre velocidade e segurança. O volume crescente de transações exige vigilância constante contra ameaças cibernéticas. Garantir a confiança digital e a integridade dos dados, por meio de regulação clara e tecnologias avançadas, é fundamental para sustentar o crescimento do sistema.
O futuro do Pix inclui uma série de prioridades regulatórias e ações. Segundo o próprio órgão regulador, até o final de 2026 estão previstos:
- debates sobre a padronização do Pix por Aproximação e do Pix Parcelado;
- aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED);
- desenvolvimento de funcionalidades do Pix em garantia.
Outras medidas, que afetam não só o sistema de pagamentos instantâneo, mas também outros métodos, incluem:
- mudanças na infraestrutura do mercado financeiro e nos arranjos de pagamento: como limites de tarifas de interoperabilidade;
- avanço no desenvolvimento do Open Finance: para aperfeiçoar a performance operacional desse sistema;
- tokenização: com a análise da criação de uma regulação própria;
- estudo sobre o uso da Inteligência Artificial: a fim de prevenir riscos e impactos negativos ao sistema financeiro nacional.
Qual será o futuro dos pagamentos no Brasil?
As soluções atuais apontam para um sistema financeiro altamente conectado, inteligente e colaborativo, no qual a conveniência é máxima e a fricção mínima. O país não somente adotou a tecnologia para aprimorar esse setor, como a redefiniu. Por conta desse comportamento, tem imenso potencial para continuar na vanguarda desse mercado.
A instantaneidade do Pix, por exemplo, é um legado que prepara o terreno para a próxima fase: a previsibilidade e a automação total, com integração de pagamentos, crédito e investimentos.
Caminhamos também para um ecossistema no qual a Inteligência Artificial não se limita a prevenir fraudes, e passa a atuar como uma ferramenta crucial de personalização e aprimoramento da relação entre empresas e clientes.
Assim, é possível afirmar que, do Pix ao pagamento recorrente, o Brasil mostra que o futuro dos pagamentos é instantâneo, integrado, inteligente e que esse novo cenário já começou!