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O mito do encantamento em CX: como a eficiência operacional impacta mais no ROI

Por: Oswaldo Garcia

CEO da NeoAssist

Atual CEO da NeoAssist, Oswaldo já passou por cargos de liderança em startups de tecnologia e grandes empresas como Kovi, Garos Capital, BCG, Petrobras e Ambev. Possui MBA pela Harvard Business School, além de graduação em engenharia mecânica pela Universidade de Brasília. É especialista em áreas como Empreendedorismo; Estratégia e operações de negócios; Tecnologia; SaaS; Private Equity / Search Funds.

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Customer experience não é sobre encantar. É sobre eficiência.

No e-commerce, CX bem executado significa menos atrito, menos custo estrutural e mais receita previsível. Quando a jornada é simples, a entrega é confiável e o atendimento resolve, a empresa converte mais, retém mais e precisa investir menos para repor clientes perdidos.

Máquina com engrenagens comprimindo um cubo roxo escrito “CX” e gerando pilhas de dinheiro, com uma seta apontando para “ROI” ao lado.
Imagem: Reprodução.

Esse impacto não é teórico.

Estudos da Watermark Consulting mostram que empresas líderes em experiência do cliente superaram o S&P 500 em 260 pontos, enquanto empresas com baixa performance em CX ficaram 175 pontos abaixo.

A diferença não está em campanhas criativas, mas sim na consistência operacional, na retenção e no aumento de LTV.

Em outras palavras: experiência bem estruturada vira resultado financeiro.

Maturidade em CX como vantagem competitiva

Empresas maduras em customer experience não apenas atendem melhor, elas reagem mais rápido ao mercado porque conseguem identificar mudanças no comportamento do consumidor antes da concorrência e transformar esses sinais em ajustes práticos na operação.

Isso aparece na prática em dois indicadores que qualquer c-level acompanha de perto: redução de churn e aumento de ticket médio.

Quando a experiência é tratada como infraestrutura, insights deixam de ficar isolados no atendimento e passam a influenciar logística, tecnologia, pricing e comunicação.

Dessa forma, cria-se um ciclo de melhoria contínua que protege a margem.

Ignorar esse movimento tem custo. Operações que não evoluem acabam pressionadas por estruturas ineficientes e dependentes de aquisição constante para substituir clientes que foram perdidos por fricção na jornada.

No e-commerce, o impacto é direto:

– jornadas simples aumentam conversão;
– pós-venda eficiente reduz perda de clientes;
– transparência logística estimula recompra.

O erro estratégico do “encantamento”

Um equívoco comum na alta liderança é priorizar ações de surpresa antes de estabilizar o básico. A ideia de “encantar o cliente” parece estratégica, mas os dados mostram outra realidade.

Segundo a Gartner, exceder expectativas gera impacto marginal na lealdade quando comparado ao simples cumprimento consistente da promessa. Além disso, encantar custa entre 10% e 20% a mais por interação e ocorre em uma parcela pequena dos contatos.

Já as fricções operacionais atingem toda a base.

O cliente tende a punir muito mais a experiência negativa do que recompensar um serviço acima da média.

Ou seja, ele valoriza entrega no prazo, clareza sobre o status do pedido, troca facilitada e atendimento resolutivo. Muito antes de qualquer brinde inesperado.

Por isso, a estratégia mais eficiente em CX é defensiva: remover obstáculos, simplificar processos e garantir que o cliente atinja seu objetivo com o menor esforço possível.

Eficiência como métrica central

Reduzir esforço não é uma pauta de atendimento, é uma pauta de estrutura de custo.

No e-commerce, o esforço do cliente normalmente aparece onde também há desperdício operacional: repetição de informações, necessidade de mudar de canal para resolver o mesmo problema ou atendimentos que não têm acesso ao histórico completo da jornada.

Cada uma dessas fricções aumenta o tempo médio de resolução, gera novos contatos e pressiona a operação. O cliente que encontra dificuldade para acompanhar um pedido ou solicitar uma troca tende a acionar mais vezes o suporte – evidenciando o custo de um atendimento fragmentado – ou simplesmente deixa de comprar novamente – reduzindo receita futura.

É por isso que a redução de esforço deve orientar decisões de investimento.

Autoatendimento realmente resolutivo, automação de demandas simples e integração de dados do cliente não são projetos tecnológicos isolados; precisam ser tratados como mecanismos para encurtar jornadas, reduzir custo por interação e aumentar recompra.

Menos esforço significa operação mais enxuta e receita mais previsível.

Prioridades reais de investimento em CX

Para um CEO, a pergunta não deveria ser “como inovar na experiência?”, mas “onde a fricção está destruindo a margem de lucro?”.

1. Eliminação de gargalos

A priorização começa pela eliminação de gargalos que concentram volume de contato, como acompanhamento de pedidos, trocas e dúvidas recorrentes. Quanto mais eficiente for o autoatendimento nessas etapas, menor a dependência de intervenção humana.

2. Transparência operacional

Quando o cliente tem visibilidade clara do status do pedido, reduz-se ansiedade, diminuem-se acionamentos desnecessários e fortalece-se a confiança.

3. Integração de dados

Sem visão consolidada do cliente, a operação se torna redundante e mais cara. A fragmentação da informação aumenta esforço, retrabalho e tempo de resolução.

4. Canais de atendimento

A decisão sobre canais também exige cautela. Fechar canais preferidos sob o argumento de eficiência pode deslocar demanda para concorrentes ou gerar frustração acumulada.

5. Inteligência artificial

Deve ser aplicada com foco em resolutividade, não apenas em automação. Quando ajuda a antecipar demandas e acelerar respostas, gera eficiência real. Quando funciona como barreira de contato, amplia esforço e corrói valor.

Conclusão

Investir em customer experience não é buscar o extraordinário, mas sim garantir que o básico funcione sem fricção.

Empresas que tratam CX como infraestrutura operacional constroem margens mais saudáveis, retenção previsível e crescimento orgânico sustentável.

No e-commerce, experiência não é diferencial estético. É eficiência econômica aplicada à jornada.

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