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Estamos otimizando o atendimento… mas para quem?

Por: Rogério Domingos

Diretor Executivo na Actionline

Rogério Domingos é formado em administração de empresas pelo Grupo Drummond, com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, e atualmente, presta o MBA Executive. É diretor Executivo na Actionline, empresa global especializada em análise de dados e experiência do cliente. Com mais de 10 anos de experiência na área, Rogério liderou setup de operações e foi responsável como talent acquisition para marcas líderes de mercado como: Natura Cosméticos, PEPSICO, Heineken, Claro, Souza Cruz, AMBEV, BV Financeira e SUMUP.

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Ao longo dos anos, venho acompanhando decisões estratégicas relacionadas ao atendimento ao cliente, e vejo atualmente que a palavra “otimização” ganhou um status quase incontestável no discurso corporativo. Tudo precisa ser otimizado. Tempo, custo, processos, canais. A eficiência virou um objetivo em si mesma. O problema é que, nessa corrida, muita gente deixou de responder à pergunta básica: estamos otimizando o atendimento para quem?

Prancheta com checklist sendo preenchido sobre mesa de madeira, ao lado de café, óculos, celular e cubos com ícones de atendimento, com gráficos digitais ao fundo.
Imagem gerada por IA.

Durante muito tempo, o atendimento foi tratado como um centro de custo a ser controlado. Otimizar, nesse contexto, passou a significar fazer mais rápido ou mais barato. Só que eficiência sem propósito não sustenta relacionamento. Na prática, o que se vê é que grande parte das iniciativas de eficiência nasce olhando primeiro para dentro da empresa. O resultado é um paradoxo cada vez mais comum de organizações que se dizem mais eficientes, mas consumidores que se sentem mais distantes, cansados e pouco ouvidos.

Otimização com foco no cliente

Outro ponto que fica claro ao observar o mercado é que o consumidor não espera perfeição. Ele espera coerência. Se uma marca promete proximidade, cuidado e personalização, mas entrega barreiras, respostas genéricas e jornadas engessadas, a frustração é inevitável. Também é preciso olhar para os impactos dessa lógica sobre as pessoas envolvidas no atendimento. Modelos excessivamente orientados à eficiência reduzem a autonomia e limitam a capacidade de resolver situações reais.

Rever o conceito de otimização passa, necessariamente, por mudar a pergunta. Em vez de “como reduzir tempo e custo?”, é preciso perguntar “o que realmente resolve a vida do cliente?”. A eficiência vem depois, como consequência de processos bem desenhados, jornadas claras e decisões orientadas por dados que façam sentido, e não apenas por indicadores históricos.

Tenho visto empresas avançarem quando tratam atendimento como parte da estratégia, e não como um problema operacional. Elas entendem que experiência não se resume ao canal, mas à soma de expectativa, contexto e resolução. E reconhecem que tecnologia só gera valor quando está a serviço da relação, não como um filtro que afasta.

Atendimento do futuro: inteligência e empatia

Na minha avaliação, o futuro do atendimento não está em escolher entre humano ou digital. Está em integrar inteligência, empatia e autonomia. Em desenhar jornadas que respeitem o tempo do cliente, mas também sua necessidade de ser compreendido. Em usar dados para antecipar problemas, e não apenas para justificar decisões. Vale aqui uma reflexão: estamos realmente fazendo isso para os indicadores ou para as pessoas que mantêm o negócio de pé?