Apesar do avanço da inteligência artificial (IA) e da consolidação dos marketplaces como ambiente de descoberta, o Google segue como principal ponto de partida da busca por produtos e serviços no Brasil. É o que mostra o estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, produzido pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, com 1 mil entrevistas realizadas em dezembro de 2025.
Na pergunta espontânea, 64% dos entrevistados citaram o Google como primeira plataforma que vem à mente ao buscar informações com intenção de compra. Quando apresentadas opções, o índice sobe para 72%.
No entanto, a liderança convive com uma jornada cada vez mais distribuída entre IA, redes sociais e marketplaces.
Uso do Google
Quando questionados sobre a frequência de uso do Google em comparação com um ano atrás, 34% afirmaram usar na mesma intensidade, 31,5% disseram usar muito mais e 17,4% um pouco mais. Por outro lado, 11,9% relataram usar muito menos e 5,2% um pouco menos.
Entre os que reduziram o uso, os principais motivos apontados foram a promessa de respostas melhores por ferramentas de IA, o excesso percebido de anúncios e a maior rapidez das redes sociais.
O dado sugere que, embora o buscador mantenha centralidade, enfrenta pressão competitiva principalmente na etapa inicial da jornada.
Avanço da IA como organizadora
O uso de inteligência artificial já faz parte da rotina de parte relevante dos consumidores. Segundo o estudo, 46,5% utilizam ferramentas de IA diariamente ou algumas vezes por semana para pesquisar ou comprar produtos e serviços, enquanto 28,1% usam ocasionalmente.
Ainda assim, a IA não substitui o Google. Para 54,2%, ela complementa a busca tradicional. Apenas 16,5% afirmam que a IA substitui o buscador.
Além disso, 71% dizem validar respostas obtidas em IA pesquisando novamente no Google, evidenciando um comportamento de checagem cruzada. Em cenários de conflito entre Google, IA e redes sociais, 53,1% afirmam seguir a versão apresentada no Google.
Especialistas ouvidos na pesquisa destacam que a IA atua principalmente como redutora de complexidade no topo do funil, organizando informações e comparações técnicas, enquanto o Google permanece como instância final de confirmação e redução de risco.
Busca visual e por voz
O comportamento de busca também se amplia para formatos multimodais. De acordo com o levantamento, 81% dos entrevistados já utilizaram busca por imagem ou vídeo, como Google Lens ou clique em produtos em redes sociais.
Já 75% afirmam ter usado comandos de voz para buscar produtos ou serviços.
A adoção desses formatos reforça uma mudança estrutural: a busca deixa de ser exclusivamente textual e passa a incorporar voz, imagem e interação conversacional.
Categorias mais compradas online
Nos últimos três meses, as categorias com maior incidência de compras online foram:
- Moda, acessórios e calçados (56%);
- Beleza, cosméticos e perfumaria (46%);
- Farmácia, saúde e suplementos (41%);
- Mercado e supermercado (36%);
- Eletroeletrônicos e informática (30%).
O estudo aponta que a busca é mais relevante em categorias que exigem comparação, avaliação visual e prova social, especialmente em moda e beleza.
Descoberta começa no marketplace
Quando perguntados onde descobriram o produto da compra online mais recente, 27,3% apontaram marketplaces, superando Google e Google Shopping, que somam 15,9%.
Já a finalização do pagamento se concentra ainda mais nesses ambientes: 46% concluíram a compra em marketplaces e 25,7% em lojas oficiais de marcas.
O movimento indica que a conveniência e a integração entre busca, comparação e checkout dentro do mesmo ecossistema vêm encurtando etapas da jornada.
Busca do futuro
Na pergunta aberta sobre como imaginam a busca ideal no futuro, os entrevistados destacaram preferência por linguagem natural, comando por voz, respostas mais organizadas por IA, menos anúncios e maior segurança contra golpes.
Termos como personalização, rapidez e confiabilidade aparecem com frequência. A expectativa é de uma experiência multimodal, capaz de entender contexto, histórico e preferências, reduzindo cliques e fricção.
Especialistas ouvidos no estudo apontam que a tendência é de hiperpersonalização e integração entre canais, com IA atuando como assistente operacional no futuro, inclusive executando tarefas em nome do usuário.
Confiança como ativo central
A principal conclusão do relatório é que não há substituição direta entre plataformas, mas redistribuição de funções. IA organiza e simplifica, marketplaces reduzem fricção, redes sociais influenciam repertório e pertencimento, e o Google permanece como instância de validação.
Em um ambiente de fragmentação e excesso de estímulos pagos, a confiança desponta como o principal diferencial competitivo na jornada digital de 2026.