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IA e commerce media redesenham o varejo em 2026

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O commerce media deve deixar de operar como frente complementar para se consolidar como parte estrutural da infraestrutura do varejo em 2026. É o que aponta o relatório Commerce Media Trends to Watch in 2026, da eMarketer, que analisa como varejistas, plataformas e redes financeiras devem reorganizar operações, formatos e métricas diante da consolidação da inteligência artificial (IA) e da economia orientada a resultados.

IA e commerce media redesenham o varejo em 2026
(Imagem: Envato)

O estudo indica que o crescimento da mídia de varejo não será limitado por demanda, mas por capacidade organizacional.

Segundo o relatório, 49% dos varejistas apontam complexidade organizacional como principal barreira ao avanço das Retail Media Networks (RMNs). Entre os entraves estão desalinhamento entre merchandising e mídia, desconexão entre equipes digitais e físicas e baixa integração cross-functional.

A tendência é que as RMNs deixem de operar como unidades isoladas e passem a ser incorporadas às áreas centrais do negócio, como estratégia comercial, operações e gestão de loja. O movimento busca dar escala à monetização sem comprometer a experiência do consumidor.

IA, busca e descoberta

A consolidação de experiências agentic deve catalisar a próxima fase do commerce media. O estudo projeta expansão de assistentes de compra baseados em IA e ambientes conversacionais integrados ao fluxo de decisão.

Com isso, a dependência da busca tradicional baseada em palavras-chave tende a diminuir. A descoberta de produtos poderá ocorrer por meio de interações mediadas por agentes inteligentes, alterando a lógica de retail search e impactando modelos baseados exclusivamente em leilão de keywords.

A previsão é de que anúncios passem a aparecer dentro desses fluxos conversacionais, exigindo padronização de formatos e maior transparência para garantir confiança do consumidor.

Shopper flexível e performance

O relatório também traz dados comportamentais que ajudam a explicar o avanço da mídia orientada a resultados. Em 2026, 32% dos consumidores devem entrar nas lojas sem plano definido. Ao mesmo tempo, 74% do carrinho é composto por compras rotineiras, enquanto 26% exigem mais do que reconhecimento de marca para conversão.

O estudo identifica três vetores principais de decisão:

  • 62% dos consumidores precisam de desconto de 25% para trocar de marca;
  • 35% consideram qualidade superior como justificativa de mudança;
  • Mais de 50% justificam a troca quando há oferta de cashback.

O cenário reforça que exposição isolada tende a perder espaço para estratégias baseadas em incentivo e mensuração clara de resultado.

Lojas físicas

Apesar de ainda representar uma fatia menor do total de retail media, o investimento em mídia dentro das lojas físicas deve crescer à medida que varejistas integrem dados digitais e offline.

Os chamados “store takeovers” devem se tornar mais frequentes, combinando ativações físicas com mídia digital. A proposta é ampliar visibilidade no ponto de venda e conectar jornadas online e offline em pacotes integrados de ativação.

Instituições financeiras entram no jogo

O estudo também aponta avanço das Financial Media Networks (FMNs), que passam a disputar verbas tradicionalmente direcionadas às RMNs.

Instituições financeiras devem incorporar experiências compráveis em aplicativos bancários, carteiras digitais e agregadores de e-commerce, utilizando dados transacionais para oferecer segmentação baseada em intenção real de compra.

A expectativa é que essas redes invistam em ambientes fechados de mensuração, aproximando descoberta e conversão dentro do mesmo ecossistema.

Economia orientada a resultados

O relatório indica que 2026 consolida o modelo de “outcome economy”. A prioridade deixa de ser volume de inventário e passa a ser resultado verificável.

Entre os movimentos destacados estão:

  • Consolidação de investimentos em canais com comprovação de performance;
  • Otimização de campanhas em tempo real;
  • Uso de mensuração por terceiros como diferencial competitivo;
  • Busca por incrementalidade comprovada.

Hoje, 51% dos profissionais de marketing afirmam não confiar plenamente na medição de incrementalidade, o que impulsiona a demanda por métricas mais robustas.

Os dados mostram que retail media já influencia 14% das vendas via retail search, enquanto o digital como um todo impacta 10%. A projeção é de crescimento contínuo do investimento até 2027, com retail media avançando em ritmo superior ao digital geral.

Além disso, a fragmentação de canais deve se intensificar, com consumidores transitando entre social, search, CTV, vídeo e varejo. Nesse ambiente, canais flexíveis tendem a superar formatos estáticos, exigindo planejamento omnichannel integrado.