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Pix deve responder por metade das compras online no Brasil até 2028

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

O Pix deve ampliar sua liderança no comércio eletrônico brasileiro e responder por metade das transações online até 2028. A projeção é de um novo estudo da Ebanx, que aponta a consolidação do sistema de pagamentos instantâneos como principal meio de pagamento no e-commerce do país.

Pagar contas escaneando um código QR é mais rápido e fácil.
(Imagem: Envato)

Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado no fim de 2020, o Pix acelerou a redução do uso de dinheiro em espécie e, desde 2023, já supera o volume combinado de operações realizadas com cartões de crédito e débito no Brasil.

Pix já lidera no e-commerce

Segundo o levantamento, em 2025 o Pix respondeu por 42% das compras online, superando os cartões de crédito, que ficaram com 41%. O mercado de e-commerce, historicamente dominado pelos cartões, passou a refletir a ampla adoção do Pix também nos pagamentos a empresas.

Com base em dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), o Ebanx projeta que a participação do Pix nas compras online alcance 45% até o fim deste ano e chegue a 50% em 2028. Nesse cenário, a vantagem sobre os cartões de crédito deve atingir 14 pontos percentuais.

Pagamentos a empresas impulsionam avanço

Para Eduardo de Abreu, líder global de produto do Ebanx, a expansão do Pix no e-commerce está ligada tanto à maturidade do sistema quanto à ampliação de funcionalidades. “O Pix ganhou tração inicialmente nas transferências entre pessoas, mas agora avança de forma consistente no pagamento a empresas”, afirma.

Um dos fatores citados é o lançamento do Pix Automático, funcionalidade voltada a pagamentos recorrentes, que passou a disputar espaço com os cartões em assinaturas e cobranças frequentes.

Dados do Banco Central mostram que, desde setembro, as transações de pessoa para empresa (P2B) já representam a maior fatia do volume movimentado pelo Pix. Em janeiro, esse tipo de operação respondeu por 46% do total, enquanto as transferências entre pessoas (P2P) ficaram em 40%.

“Houve um ganho de confiança da população no Pix, combinado com a maior disponibilidade do meio de pagamento nos sites de e-commerce”, diz Abreu.

Cartões seguem relevantes no parcelamento

Apesar do avanço do Pix, o Ebanx avalia que os cartões de crédito continuarão relevantes, especialmente em compras parceladas e de maior valor. O hábito do parcelamento segue forte no Brasil e atende consumidores que precisam preservar fluxo de caixa, mesmo diante de descontos oferecidos no pagamento à vista via Pix.

“A pessoa pode até reconhecer que o Pix com desconto é mais vantajoso, mas muitas vezes não consegue pagar tudo de uma vez. O parcelado continua sendo uma alternativa importante para esse público”, afirma o executivo.

Pressão sobre o mercado de cartões

A expansão do Pix também pressiona o mercado de cartões, dominado por empresas como Mastercard e Visa. No ano passado, o sistema brasileiro chegou a ser alvo de questionamentos dos Estados Unidos, que abriram uma investigação sobre possíveis práticas comerciais desleais, considerando o papel do Banco Central como operador do Pix e regulador do sistema financeiro.

Mesmo com esse contexto, o estudo indica que o Pix deve seguir ganhando espaço no comércio eletrônico, reforçando a mudança estrutural nos meios de pagamento usados pelos consumidores brasileiros.

* Com informações da Reuters.