O Carnaval vai além do calendário festivo e exerce influência direta sobre a dinâmica do consumo no Brasil. Um estudo inédito do IBEVAR em parceria com a FIA Business School aponta que a data provoca uma realocação relevante dos gastos das famílias, com migração do varejo de bens para serviços e turismo. Ainda assim, o efeito final é positivo: o volume de negócios do varejo deve crescer 4,9% em 2026 na comparação com 2025.

A análise considera o período de 2020 a 2025 e indica que o Carnaval não destrói consumo, mas reorganiza prioridades. Segmentos ligados ao lazer e ao consumo imediato avançam, enquanto categorias de compra planejada perdem espaço temporariamente.
Bens recuam, serviços avançam
De acordo com o levantamento, o varejo de bens registra retração média de 8,6% em relação à tendência histórica durante o período carnavalesco. O movimento está associado à redução de dias úteis, menor fluxo em lojas físicas e adiamento de compras de maior valor.
Entre os segmentos mais impactados negativamente estão moda social e formal, com queda média de 18%, calçados sociais, com retração de 15%, eletrodomésticos, com recuo de 9%, móveis e decoração, com queda de 8%, além de serviços educacionais presenciais, que registram redução de 12%.
Na outra ponta, o varejo de serviços e o consumo corrente concentram o crescimento. Supermercados, bebidas, fantasias, itens de higiene e beleza, além de bares, restaurantes, hotelaria, transporte e eventos, se beneficiam do consumo associado ao período.
As categorias com maior expansão incluem supermercados e hipermercados, com alta de 25,9%, fantasias e roupas temáticas, com crescimento de 29%, bebidas mistas, com avanço de 26%, protetor solar, com alta de 20%, e maquiagem e glitter, que crescem 18%.
Turismo para destinos tradicionais
No turismo, o estudo mostra aumento da preferência por destinos com identidade carnavalesca consolidada. Entre 2024 e 2026, cidades como Salvador, Olinda e Rio de Janeiro lideram a expansão da demanda, refletindo a busca por experiências culturais e eventos de grande escala.
O levantamento também aponta desafios recorrentes nesses polos, como superlotação, preços elevados e limitações de infraestrutura urbana, mobilidade e segurança, fatores recorrentes em análises de percepção dos consumidores.
Crédito pressionado após o Carnaval
O impacto do Carnaval também se reflete no comportamento financeiro das famílias. Em sete de dez cenários analisados, considerando modalidades de crédito rotativo e parcelado entre 2020 e 2025, houve aumento da inadimplência após o período festivo. O dado sugere maior uso de crédito de curto prazo para sustentar o consumo concentrado na data.
Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o Carnaval atua como um reorganizador do consumo, sem reduzir o volume total. “O Carnaval funciona como um catalisador econômico previsível, que impulsiona serviços e turismo, mas impõe custos ao varejo de bens, à infraestrutura urbana e à saúde financeira das famílias”, afirma.