Logo E-Commerce Brasil

Abertura de farmácias no Brasil recua quase 40% em três anos

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista no E-commerce Brasil, graduada pela Universidade Nove de Julho e apaixonada por comunicação.

Ver página do autor

O setor farmacêutico brasileiro atravessa um momento de profunda transformação estrutural. Entre 2022 e 2025, o volume de novas farmácias inauguradas no país registrou uma queda de 39,3%, segundo dados da Close-Up International. O cenário é inédito: 2025 foi o primeiro ano em que o número de novos pontos de venda (PDVs) foi superado pelo volume de fechamentos.

Pessoa pega medicamento em prateleira de farmácia.
(Imagem: Freepik)

Nos últimos 12 meses encerrados em novembro de 2025, o setor iniciou a operação de 6.752 unidades. O dado contrasta fortemente com o desempenho de três anos atrás, quando 11.113 lojas entraram em funcionamento. Em contrapartida, o encerramento de atividades atingiu 9.772 farmácias no último ano, evidenciando um saldo negativo que sinaliza uma consolidação acelerada do mercado.

O declínio das farmácias independentes

A crise de sustentabilidade atinge de forma desproporcional os pequenos e médios negócios. As redes de menor porte encerraram 2025 com 6.551 unidades, um recuo de 22,6% em relação às 7.537 registradas em 2022. No segmento das farmácias independentes, embora o volume de PDVs ainda represente 56% do total nacional (56.234 unidades), o saldo entre aberturas e fechamentos fechou negativo em 1.567 estabelecimentos.

De acordo com estudos anteriores da IQVIA, as farmácias independentes respondem por quase 88% de todos os encerramentos de atividades no setor.

Profissionalização e o papel do associativismo

O cenário atual é classificado por especialistas como um ciclo de profissionalização. Ivan Engel, diretor da Close-Up, destaca que o fortalecimento das redes associativistas tem sido um divisor de águas. Essas associações oferecem às farmácias acesso a dados de mercado cruciais para o planejamento de mix de produtos, escolha estratégica de pontos comerciais e aprimoramento da operação logística.

O objetivo é reduzir o amadorismo na gestão, permitindo que farmácias menores sobrevivam à pressão competitiva exercida pelas gigantes do setor, que possuem estruturas robustas e faturamento médio mensal que pode superar os R$ 700 mil por loja, contra os cerca de R$ 65 mil de estabelecimentos independentes.

Um dos fatores determinantes para a disparidade de desempenho é a presença no ambiente digital. Enquanto o e-commerce farmacêutico cresce de forma acelerada, pequenos lojistas enfrentam o que se chama de fosso digital.

Dados do Instituto Axxus revelam que nove em cada dez estabelecimentos de pequeno porte não possuem programas de fidelidade integrados a canais online e a grande maioria não investe em mídias sociais. Em um cenário onde a conveniência da compra virtual e a fidelização baseada em dados tornaram-se pilares do varejo moderno, a ausência de uma estrutura digital eficiente condena as operações tradicionais à obsolescência.

As farmácias com musculatura para atender a demanda multicanal partem em vantagem competitiva, capturando o fluxo de consumidores que migraram definitivamente para o consumo híbrido entre o físico e o online.

Conferência Saúde e Farma 2026

Para debater as estratégias de sobrevivência e crescimento neste novo cenário, o E-commerce Brasil realiza a Conferência Saúde e Farma no dia 4 de fevereiro, no Hotel Unique, em São Paulo.