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Economia global deve crescer 3,3% em 2026, projeta FMI

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O crescimento da economia global deve permanecer estável em 2026, apesar de forças divergentes que continuam a pressionar diferentes regiões e setores. A projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta expansão de 3,3% neste ano e de 3,2% em 2027, patamares semelhantes ao resultado estimado para 2025.

Economia global deve crescer 3,3% em 2026, projeta FMI
(Imagem: Envato)

O cenário reflete a combinação entre tensões comerciais ainda presentes e o impulso gerado por investimentos em tecnologia, especialmente nos Estados Unidos e na Ásia.

Segundo o relatório World Economic Outlook Update, divulgado nesta segunda-feira (19), o avanço da economia global tem sido sustentado por condições financeiras ainda acomodativas, estímulos fiscais em algumas economias avançadas e pela resiliência do setor privado. O FMI revisou levemente para cima a projeção de crescimento de 2026 em relação ao relatório de outubro, enquanto manteve inalterada a estimativa para 2027.

O comércio global, por sua vez, deve perder fôlego em 2026. O FMI projeta desaceleração do volume de trocas internacionais de 4,1% em 2025 para 2,6% neste ano, refletindo ajustes nas cadeias produtivas e a antecipação de fluxos comerciais diante de mudanças nas políticas tarifárias. Ainda assim, exportações relacionadas à tecnologia continuam a sustentar parte da atividade, especialmente na Ásia.

Tecnologia

Apesar da resiliência observada, os riscos permanecem inclinados para o lado negativo. O FMI alerta que uma revisão das expectativas de ganhos de produtividade associados à inteligência artificial (IA) pode provocar correções abruptas nos mercados financeiros, além de retração nos investimentos. Tensões geopolíticas, disputas comerciais e o elevado nível da dívida pública em diversas economias também seguem como fatores de pressão sobre o cenário global.

Como contrapartida, o relatório destaca que uma adoção mais ampla e eficiente de novas tecnologias pode elevar a produtividade e sustentar um crescimento mais robusto no médio prazo. Para isso, o FMI defende políticas voltadas à recomposição de buffers fiscais, à preservação da estabilidade financeira e à implementação de reformas estruturais capazes de reduzir incertezas e ampliar o potencial de crescimento das economias.

Panorama geral

A inflação global segue trajetória de desaceleração. A expectativa é que o índice cheio recue de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026 e alcance 3,4% em 2027. Apesar da tendência de queda, o FMI observa que o processo de convergência à meta ocorre de forma mais lenta nos Estados Unidos do que em outras grandes economias, refletindo pressões persistentes sobre o custo de vida.

O desempenho econômico segue desigual entre países e regiões. Nos Estados Unidos, a projeção é de crescimento de 2,4% em 2026, apoiado por estímulos fiscais e pela redução gradual dos juros, enquanto os efeitos das barreiras comerciais tendem a perder força ao longo do período.

Na zona do euro, a expansão deve permanecer moderada, em torno de 1,3% em 2026, com impacto limitado dos investimentos tecnológicos e persistência de desafios estruturais. Entre as economias emergentes, o crescimento deve se manter acima de 4% em 2026 e 2027.

A China teve suas projeções revisadas para cima em 2026, com crescimento estimado em 4,5%, influenciado por estímulos econômicos e pela trégua comercial com os Estados Unidos. A Índia segue como um dos destaques, com previsão de expansão de 6,4% ao ano no biênio, embora em ritmo inferior ao observado em 2025.