O varejo dos Estados Unidos entra em uma nova era com mudanças simultâneas na liderança de seus dois maiores expoentes. John Furner assumiu como CEO do Walmart e Michael Fiddelke passou a comandar a Target em 1º de fevereiro de 2026. Embora ambos sejam veteranos de suas respectivas casas, os desafios que encontram são distintos: Furner assume uma operação em seu auge histórico, enquanto Fiddelke precisa “vender a Target do futuro” para reverter quatro anos de estagnação.

A divergência entre as redes é nítida no mercado financeiro. Nos últimos cinco anos, as ações do Walmart saltaram 163%, levando a companhia a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. No mesmo período, os papéis da Target recuaram cerca de 40%. O sucesso do Walmart é atribuído à sua agressiva agenda digital, que inclui parcerias de IA com o ChatGPT (OpenAI) e o Gemini (Google), além de ter alcançado lucro inédito em sua operação de e-commerce.
Walmart: Aceleração tecnológica e liderança em IA
Sob o comando de Furner, o Walmart pretende consolidar o que chama de “varejo liderado por pessoas e impulsionado por tecnologia“. A empresa transferiu sua listagem para a Nasdaq 100 em janeiro, sinalizando seu foco em inovação. A inteligência artificial já é utilizada para simplificar decisões de estoque e reduzir atritos na jornada de compra, ajudando a marca a conquistar inclusive consumidores de alta renda que buscam conveniência e preços competitivos em alimentos.
Apesar do otimismo, o Walmart monitora de perto a concorrência da Amazon, que ameaça ultrapassá-lo em receita anual, e a expansão de redes de descontos como a Aldi. O objetivo de Furner é manter o “navio estável” enquanto aumenta a velocidade da transformação digital iniciada por seu antecessor, Doug McMillon.
Desafio da reestruturação e identidade
Já a Target chega ao relatório financeiro de março sob pressão. Com queda no tráfego de lojas e no site, a empresa iniciou um plano de reestruturação que incluiu o corte de 2.300 cargos corporativos e administrativos no último ano. A estratégia do novo CEO, Michael Fiddelke, foca em quatro pilares: aprimorar o sortimento, melhorar a experiência do cliente, acelerar a tecnologia e fortalecer a força de trabalho local.
Analistas do mercado, como os da Goldman Sachs e Jefferies, apontam que a Target precisa definir urgentemente como competirá no cenário omnichannel, onde o Walmart e a Amazon levam vantagem em automação e marketplace. O mercado aguarda o próximo evento com investidores para entender se a Target conseguirá resgatar o entusiasmo de sua marca e reconectar-se com o consumidor que busca mais do que apenas itens básicos.