A monetização de ativos imobiliários tornou-se o principal eixo da estratégia da Saks Global para enfrentar a pressão financeira sobre o grupo. Controladora de redes como Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, a companhia avalia alternativas para transformar seu portfólio de lojas em liquidez e sustentar as operações.

O conglomerado opera cerca de 125 unidades nos Estados Unidos, que somam aproximadamente 1,2 milhão de metros quadrados. Em 39 dessas lojas, a empresa detém ou controla contratos de arrendamento de terrenos, segundo documentos judiciais. Parte dessas localizações está em endereços considerados estratégicos para o varejo de luxo, como a Quinta Avenida, em Manhattan, e corredores premium em Beverly Hills.
Além do varejo físico, a companhia também encerrou as operações no marketplace da Amazon.
Opções
Entre as alternativas analisadas, está o modelo de sale-leaseback, no qual a companhia vende o imóvel a um investidor e passa a alugá-lo para manter a operação no local. A medida permitiria gerar caixa imediato sem interromper as atividades comerciais.
Analistas do setor imobiliário consultados pela Reuters avaliam que o financiamento obtido pelo grupo pode dar tempo para estruturar essas operações e evitar liquidações aceleradas de ativos, que costumam ocorrer com descontos relevantes.
Como parte da revisão do portfólio, a Saks solicitou autorização judicial para encerrar cerca de quatro lojas já inativas, as dark stores. A venda desses imóveis pode implicar deságio estimado entre 40% e 50% em relação ao valor de mercado de unidades em funcionamento, segundo consultores familiarizados com as discussões.
A sobreposição de bandeiras também está no radar. Em alguns centros comerciais, como o Galleria Mall, em Houston, administrado pelo Simon Property Group, unidades da Saks e da Neiman Marcus operam lado a lado, o que pode levar a ajustes para reduzir concorrência interna e otimizar custos.
Pressão estrutural no modelo multimarcas
A reavaliação imobiliária ocorre em meio a desafios estruturais no varejo de luxo multimarcas. Nos últimos 12 meses, mais de 100 marcas teriam suspendido o envio de produtos à companhia, segundo especialistas em reestruturação, ampliando a necessidade de priorizar pagamentos a fornecedores para recompor estoques.
Ao mesmo tempo, marcas globais como Louis Vuitton e Chanel ampliam operações D2C por meio de lojas próprias e canais diretos ao consumidor, reduzindo a dependência de redes de departamento.
O movimento imobiliário da Saks ocorre no contexto de um processo de recuperação judicial, protocolado em janeiro sob o Capítulo 11, conhecido como Chapter 11, nos Estados Unidos. O mecanismo permite a reorganização financeira enquanto as operações seguem ativas.