Logo E-Commerce Brasil

Saks negocia empréstimo de até US$ 1 bilhão para manter operações

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista no E-commerce Brasil, graduada pela Universidade Nove de Julho e apaixonada por comunicação.

Ver página do autor

A Saks Global Enterprises está em negociações para obter um empréstimo de até US$ 1 bilhão com o objetivo de sustentar suas operações. A movimentação ocorre no contexto de um possível pedido de recuperação judicial sob o Capítulo 11 da legislação dos Estados Unidos, que pode ser apresentado nas próximas semanas, segundo fontes próximas às tratativas.

Fachada Saks
(Imagem: reprodução)

A varejista de luxo enfrenta dificuldades financeiras e deixou de pagar juros de títulos que somam mais de US$ 100 milhões, com vencimento em 30 de dezembro. Paralelamente, a empresa negocia uma moratória com parte dos credores para ganhar tempo e viabilizar um novo financiamento ou estruturar um plano de reorganização.

De acordo com as fontes, alguns detentores de títulos discutem a concessão de um empréstimo do tipo debtor in possession, o chamado DIP, que pode envolver ao menos US$ 750 milhões em capital novo e a possibilidade de incorporação de dívidas existentes. A ideia é garantir a continuidade das operações após a formalização do pedido de recuperação judicial. As conversas, no entanto, seguem em andamento e a estrutura final do financiamento ainda pode sofrer alterações.

Histórico recente e desafios operacionais

Procurada, a Saks não respondeu aos pedidos de comentário. Já um representante da PJT Partners, assessora da companhia, afirmou que não comentaria o assunto. O New York Post já havia antecipado detalhes sobre a possibilidade de um empréstimo DIP.

Com mais de 150 anos de história, a Saks tenta cobrir um déficit de liquidez em meio a pressões relacionadas a estoques e fluxo de caixa. O momento crítico ocorre cerca de um ano após a empresa levantar bilhões de dólares junto a investidores em títulos para financiar um plano de recuperação que incluiu a aquisição da Neiman Marcus.

Em junho, credores concordaram em aportar centenas de milhões de dólares adicionais por meio de um acordo que reorganizou a estrutura da dívida e criou diferentes níveis de prioridade sobre os ativos da companhia. Ainda assim, a empresa continuou enfrentando vendas fracas e desafios na gestão de estoques.

Em meio à turbulência, a Saks anunciou a saída do CEO Marc Metrick. O cargo passou a ser ocupado por Richard Baker, presidente executivo do conselho. A companhia opera marcas icônicas como a Saks Fifth Avenue, além da Bergdorf Goodman e da própria Neiman Marcus.

Em outubro, a varejista revisou para baixo suas projeções para o ano após reportar queda nas vendas associada a dificuldades na gestão de estoques. No segundo trimestre, a receita recuou 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 1,6 bilhão.

Na ocasião, a administração informou que avaliava a venda de uma participação minoritária na Bergdorf Goodman como alternativa para levantar recursos e reforçar o caixa.