Durante a abertura da conferência anual GTC, realizada na segunda-feira, 16 de março, em San Jose, o fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresentou projeções ambiciosas para o futuro da companhia. O executivo estimou uma receita de US$ 1 trilhão com chips de inteligência artificial no período entre 2025 e 2027. O valor dobra as previsões divulgadas no ano anterior e reforça a posição da empresa como pilar central da computação acelerada global.

Segundo Huang, a Nvidia deixou de ser apenas uma fabricante de componentes para se transformar em uma provedora completa de infraestrutura e fábricas de IA. A nova geração de chips deve acelerar transformações em diversos setores, incluindo varejo, automotivo, telecomunicações e serviços financeiros. O CEO destacou que a demanda por unidades de processamento gráfico (GPUs) está em um patamar sem precedentes, impulsionada pelo que ele define como o ponto de inflexão da IA agêntica.
Investimentos em data centers
O otimismo da Nvidia é sustentado pela onipresença de suas bibliotecas de software, descritas por Huang como as joias da coroa da organização. O ecossistema permite que a empresa forneça plataformas customizadas para verticais que vão da robótica à computação quântica. Para o executivo, a necessidade de processamento aumentou exponencialmente nos últimos anos, o que deve elevar os gastos globais com data centers para cifras entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões anuais até 2030.
Essa projeção visa tranquilizar investidores que questionam a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. Ao apresentar números robustos, Huang tenta demonstrar que o crescimento das vendas não é apenas um pico momentâneo, mas uma mudança estrutural na forma como a infraestrutura digital é construída e operada pelas empresas ao redor do mundo.
Parcerias estratégicas
O evento também trouxe anúncios práticos sobre a aplicação da tecnologia da Nvidia no transporte. Huang detalhou a parceria com a Uber, que planeja lançar uma frota operada pelo software de direção autônoma da marca em 28 cidades ao redor do globo até 2028. As operações devem começar já no próximo ano, em cidades como Los Angeles e San Francisco.
Além do setor de transporte por aplicativo, outras gigantes da indústria automotiva, como Nissan, BYD, Hyundai e Geely, estão desenvolvendo veículos autônomos utilizando os programas da Nvidia. Essa integração direta com grandes fabricantes reforça a estratégia da companhia de estar presente no núcleo do desenvolvimento de tecnologias que exigem alto poder computacional e resposta em tempo real.