A indústria global de serviços de tecnologia atravessa um período de transformação estrutural, impulsionado, principalmente, pela inteligência artificial (IA). Por conta disso, o relatório A nova equação de crescimento para serviços de tecnologia, da Bain & Company, aponta que as empresas que revisarem seus modelos de oferta, entrega e precificação podem crescer entre 8% e 10%, além de preservar ou ampliar margens e elevar seus múltiplos de receita em até 3,5 vezes.

De acordo com a consultoria, a IA é hoje o principal vetor de disrupção do setor, mas não o único. Tendências como protecionismo econômico, envelhecimento populacional e transição energética também pressionam o modelo tradicional de operação dos provedores, alterando a forma como entregam valor e competem.
Pressão sobre margens e valor de mercado
O levantamento indica que companhias que mantiverem abordagens convencionais podem enfrentar perda de 5 a 7 pontos percentuais na margem EBIT, pressionadas por descontos competitivos para fechar contratos. Em um horizonte de cinco anos, esse movimento poderia levar a uma redução de 45% a 50% no valor das empresas. A receita também pode encolher 30% ou mais caso não haja adaptação estratégica.
Por outro lado, a consolidação de uma economia orientada por IA tende a ampliar a demanda por serviços ligados a operações de dados, modernização de sistemas legados, design de chips e transformação de plataformas. À medida que a tecnologia se torna central nas estratégias corporativas, modelos “IA-first” passam a redefinir processos e operações, gerando novas frentes de crescimento para o setor.
Mudança de modelo
Para capturar essas oportunidades, o relatório recomenda uma revisão ampla do posicionamento estratégico e operacional das empresas de serviços de tecnologia. Entre as frentes trazidas, estão:
- Adoção de “microbatalhas” direcionadas por setores e geografias prioritárias;
- Desenvolvimento de soluções multisserviço integrando tecnologia, dados, design e operações;
- Transição para modelos de entrega baseados em plataformas.
A Bain também defende a evolução do go-to-market para formatos mais consultivos e orientados por IA, com precificação atrelada ao valor gerado para o cliente. Parcerias estratégicas baseadas em co-criação e investimentos compartilhados também são apontadas como alavancas relevantes.
No âmbito interno, o relatório destaca a necessidade de redesenhar a estratégia de talentos, com equipes mais flexíveis e orientadas por competências, além de estruturas organizacionais mais ágeis. Movimentos de fusões e aquisições (M&A) podem acelerar a diferenciação em áreas como dados, plataformas de IA e tecnologias emergentes.
Segundo a Bain, empresas que aplicarem IA tanto em suas próprias operações quanto nas soluções oferecidas aos clientes tendem a expandir margens, financiar inovação e direcionar investimentos para as áreas centrais de entrega e desenvolvimento, posicionando-se para liderar a próxima fase de crescimento do setor.