O Brasil reúne 4,4 milhões de influenciadores no Instagram e já responde por 10,2% de todos os creators da plataforma no mundo, segundo o relatório State of Influencer Marketing 2026, da HypeAuditor. O volume coloca o país na segunda posição global, atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram com 5,2 milhões de influenciadores e participação de 11,9%.

Além da base expressiva de perfis, o levantamento indica alto nível de atividade. O Brasil também ocupa o segundo lugar em número de publicações feitas por influenciadores, concentrando 12,6% de todos os posts monitorados. Os Estados Unidos aparecem na primeira colocação, com 26,2% das publicações, o equivalente a 5,9 milhões de conteúdos.
O estudo aponta ainda que o Brasil tem potencial para reduzir a distância em relação aos Estados Unidos nos próximos anos, impulsionado pelo tamanho da população e penetração das redes sociais. No entanto, a liderança global ainda depende de variáveis como poder de investimento das marcas, infraestrutura e maturidade publicitária, que permanecem mais consolidadas no mercado norte-americano.
Os dados reforçam o papel do Brasil como um dos principais polos da creator economy global, combinando escala, engajamento e crescente maturidade comercial.
Engajamento e potencial comercial
De acordo com Fabio Gonçalves, diretor de Talentos Brasileiros e Norte-americanos da Viral Nation, o protagonismo brasileiro está associado à forte relação da população com as redes sociais e à consolidação do marketing de influência como fonte de renda.
Segundo ele, o engajamento acima da média global é um dos principais diferenciais do país, fator que reforça o interesse de marcas em campanhas com criadores locais. Esse movimento, na avaliação do executivo, contribui para ampliar o ecossistema e estimular a profissionalização da atividade.
Estrutura de produção e maturidade
Apesar da segunda colocação em volume de publicações, a diferença em relação aos Estados Unidos ainda é significativa. Segundo Gonçalves, isso tem relação com os modelos distintos de operação. Enquanto o mercado norte-americano apresenta uma estrutura de produção mais industrializada, com equipes ampliadas e processos consolidados, o Brasil mantém operações mais enxutas, embora com alto nível de criatividade e consistência.
Mesmo assim, o cenário nacional já demonstra avanço na profissionalização. O relatório destaca que parte dos criadores brasileiros opera com planejamento editorial, estratégia de marca pessoal e diversificação de receitas, aproximando-se do modelo de empresas de mídia.
Diante desse contexto, o Brasil passou a ocupar posição estratégica para agências globais e marcas internacionais. Segundo a Viral Nation, o país está entre os mercados prioritários para expansão, com investimentos em inteligência de dados, desenvolvimento de talentos e parcerias de longo prazo.