O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta terça-feira, 24, um balanço otimista sobre o novo regime tarifário dos Estados Unidos. Segundo a pasta, as recentes Ordens Executivas da Casa Branca garantem que quase metade (46%) das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 17,5 bilhões, não sofrerá nenhuma taxação adicional.

A mudança marca o fim do “tarifaço” anterior, que impunha alíquotas pesadas de 40% ou 50% sobre 22% dos produtos brasileiros. Agora, esses itens passam a ser regidos por uma tarifa global temporária de 10% (podendo chegar a 15%), o que coloca o Brasil em patamar de igualdade competitiva com outros fornecedores globais. A medida, baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, visa equilibrar o balanço de pagamentos americano após decisões judiciais recentes.
Setores beneficiados
A maior “vitória” celebrada pelo governo brasileiro foi a exclusão completa das aeronaves da incidência das novas tarifas. O setor, que é o terceiro principal item da pauta exportadora para os EUA e possui alto valor agregado, passou de uma alíquota de 10% para alíquota zero. No agronegócio, produtos como café solúvel, mel e pescados também viram suas taxas despencarem de 50% para os novos 10%.
De acordo com o MDIC, a competitividade industrial será impulsionada em segmentos como:
- Manufaturados: Máquinas, equipamentos, calçados e confecções.
- Matérias-primas e Móveis: Madeira, móveis e rochas ornamentais.
- Químicos: Diversos insumos que agora enfrentam alíquota isonômica.
Dinâmica comercial
Apesar do alívio em grande parte da pauta, cerca de 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões) continuam sob as regras da Seção 232, que trata de segurança nacional e mantém tarifas específicas para setores como aço e alumínio. Outros 25% do volume exportado (US$ 9,3 bilhões) serão efetivamente alcançados pela nova sobretaxa de 10%.
Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países atingiu recordes, somando US$ 82,8 bilhões. Embora o Brasil ainda registre um déficit comercial com os EUA (US$ 7,5 bilhões), a pasta chefiada por Geraldo Alckmin acredita que o novo cenário reduz “atritos” e simplifica a estratégia de exportação para as empresas brasileiras, que agora competem em condições mais justas no maior mercado consumidor do mundo.