O mercado de segunda mão está prestes a vivenciar uma expansão sem precedentes. Segundo Gemma D’Auria, sócia sênior da McKinsey & Company, o setor deve crescer entre duas e três vezes mais rápido que o mercado primário até 2027. O movimento reflete uma mudança estrutural no consumo, onde a revenda deixou de ser um nicho informal para se tornar um pilar de sustentabilidade e lucratividade para grandes players globais.

A consolidação desse modelo de negócios deve-se à redução de barreiras históricas. Preocupações com autenticidade e controle de qualidade, que antes afastavam as marcas de luxo e moda do segmento, foram mitigadas por novas tecnologias de rastreamento e plataformas especializadas. Hoje, as próprias empresas estão desenvolvendo ecossistemas próprios de revenda ou firmando parcerias para manter o controle sobre o ciclo de vida de seus produtos.
O “test-drive” de marcas e a percepção de valor
Um dado revelador da McKinsey mostra que a revenda serve como porta de entrada para o mercado de luxo: 85% dos consumidores nos EUA e 77% na China utilizam o mercado de segunda mão para explorar e testar marcas antes de realizarem compras de itens novos no futuro. Nesses mercados, o volume de produtos disponíveis para revenda é interpretado como um termômetro direto da força e da demanda da marca.
As estratégias das empresas têm se concentrado inicialmente em itens de alto valor e produtos considerados “icônicos”. Ao abraçar a revenda, as marcas não apenas atendem ao desejo do consumidor por exclusividade e preços mais acessíveis, mas também reforçam a percepção de que seus produtos são ativos que mantêm valor ao longo do tempo.
Para as empresas, a transição exige uma definição clara de posicionamento. Não se trata apenas de vender itens usados, mas de integrar a revenda às prioridades estratégicas de longo prazo. A integração desse canal permite que as marcas capturem dados valiosos sobre a durabilidade de seus produtos e o comportamento de um público mais jovem e consciente.
Como ressalta D’Auria, a aceitação da revenda é agora um fato consumado. Para as marcas que desejam se manter competitivas até 2027, a questão não é mais se devem entrar no mercado de segunda mão, mas como construir uma estratégia que proteja a aura da marca enquanto aproveita a aceleração explosiva deste novo canal de consumo.