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Consumo moderado: Brasil deve crescer 1,5% em 2026, aponta relatório

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

O Mastercard Economics Institute divulgou o relatório Economic Outlook 2026, que aponta desaceleração moderada do crescimento global e mudanças estruturais impulsionadas por políticas econômicas e pela adoção de inteligência artificial (IA).

Mulher fazendo pagamento com cartão em maquininha
(Imagem: Brasil com S)

A projeção é de que o PIB global cresça 3,1% em 2026, ligeiramente abaixo da estimativa de 3,2% para 2025. A inflação global deve recuar para 3,4%, ante 3,9% no ano anterior.

Segundo o instituto, o consumidor continuará priorizando gastos orientados por tecnologia e custo-benefício. Ao mesmo tempo, deve manter interesse por viagens e eventos ao vivo, enquanto permanece sensível a preços em bens essenciais.

Para Gustavo Arruda, economista-chefe da Mastercard para a América Latina e o Caribe, mercados de trabalho resilientes e políticas fiscais direcionadas sustentam o consumo, apesar do ambiente de crescimento mais moderado.

Comércio global e IA redesenham cenário

O relatório destaca três vetores para 2026: reorganização do comércio internacional, investimentos em IA e adaptação das pequenas e médias empresas.

A onda recente de tarifas deve continuar alterando fluxos comerciais e pressionando cadeias de suprimentos. O instituto avalia que a ampliação das importações de produtos chineses tem contribuído para desinflação em alguns países, enquanto os Estados Unidos enfrentam pressão inflacionária com alternativas de fornecimento mais caras.

Empresas ampliam investimentos em infraestrutura de IA, enquanto governos expandem gastos em defesa, digitalização e iniciativas ambientais. Essas frentes devem influenciar prioridades de investimento e dinâmica de preços.

PMEs enfrentam tarifas e aceleram digitalização

As pequenas e médias empresas são apontadas como mais expostas a tarifas e disrupções comerciais, especialmente nos Estados Unidos. Em contrapartida, o uso de ferramentas digitais e modelos online-first tende a ampliar a capacidade de adaptação.

O instituto avalia que empresas orientadas por tecnologia e nichos de mercado podem capturar crescimento em serviços de maior valor agregado.

Brasil: crescimento menor e consumo acima do PIB

Para o Brasil, o MEI projeta crescimento do PIB de 1,5% em 2026, abaixo de 2,2% em 2025 e 3,4% em 2024. A expectativa é que, diante de inflação controlada, o Banco Central encerre 2026 com taxa básica em 12%.

O consumo privado deve crescer 2,2%, acima do PIB. A tendência é de leve migração do consumo para serviços, enquanto bens duráveis seguem dependentes das condições de crédito.

O agronegócio permanece como vetor de crescimento, com destaque para o Centro-Oeste e partes do Sul e Sudeste.

América Latina: recuperação gradual

No México, o crescimento projetado é de 1,3% em 2026, após estimativa de 0,2% em 2025. A Copa do Mundo pode estimular temporariamente o consumo, com inflação prevista em 3,8%.

Na Argentina, o PIB deve avançar 3,5%, com inflação estimada em 20% ao fim do ano. No Chile, a projeção é de crescimento de 2,0% e inflação convergindo para 3,5%.

A Colômbia deve crescer 2,8%, com inflação em 4,3%, enquanto o Peru pode registrar expansão de 2,8% e inflação em 2,2%.