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Varejo de moda aposta em IA para alinhar produção e demanda de consumo

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista e redatora no portal E-Commerce Brasil em constante busca pelas melhores histórias.

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A inteligência artificial tornou-se a principal aposta da indústria da moda para solucionar um problema histórico e bilionário: o excedente de estoque. Atualmente, cerca de 20% de todas as roupas produzidas anualmente nunca chegam ao consumidor, gerando um prejuízo estimado em 140 bilhões de dólares em mercadorias paradas. Para reverter esse desastre econômico e ecológico, marcas globais estão adotando algoritmos de precisão para alinhar a oferta à demanda real.

Varejo de moda aposta em IA para alinhar produção e demanda de consumo
(Imagem: reprodução)

O modelo de “produção sob demanda”, popularizado por gigantes do setor, dita o novo ritmo do mercado. Ao testar o apetite dos consumidores com lotes iniciais reduzidos e escalar a produção apenas conforme o desempenho das vendas, empresas conseguem limitar a taxa de itens não vendidos a menos de 10%. Esse benchmark pressiona grupos tradicionais, que historicamente operam com margens de sobras que variam entre 20% e 40%.

Eficiência operacional e economia de capital

No varejo de moda, a aplicação de agentes de IA permite uma gestão muito mais eficiente do capital investido. O grupo francês Etam, por exemplo, projeta que o uso de ferramentas inteligentes possibilita alcançar o mesmo volume de vendas com um investimento em estoque significativamente menor. A tecnologia ajuda a definir com precisão as quantidades e cores de cada artigo, reduzindo excedentes em até 20% e garantindo que o produto certo chegue à loja correta no momento ideal.

Além da otimização das prateleiras, a tecnologia atua nos bastidores da cadeia de suprimentos. Marcas como a Levi’s já utilizam IA para automatizar tarefas manuais e prever estoques com anos de antecedência. Dados do Boston Consulting Group indicam que essa automação pode reduzir erros de previsão de demanda em 20% e encurtar prazos de produção em meses, transformando a agilidade em um diferencial competitivo crucial.

Sustentabilidade e do consumo

A urgência em otimizar estoques reflete-se na agenda dos executivos. De acordo com o relatório The State of Fashion 2026, da McKinsey, a melhoria das margens e a gestão milimétrica de inventário são prioridades para 45% dos líderes do setor. O desafio é urgente, visto que o tempo médio para liquidar estoques atingiu o recorde de 168 dias em 2024, sobrecarregando o fluxo de caixa das empresas.

Entretanto, o uso da IA na moda traz um paradoxo ambiental. Se por um lado a tecnologia evita o desperdício de peças não vendidas, por outro, ela oferece ferramentas para acelerar o ritmo de lançamento de novas coleções de forma infinita. Esse aumento na velocidade do consumo pode acabar anulando os ganhos ecológicos da redução de estoques, desafiando uma indústria que já responde por cerca de 8% das emissões globais de gases de efeito estufa a encontrar um equilíbrio entre eficiência e responsabilidade.