A indústria de alimentos brasileira encerrou 2025 com um balanço robusto de investimentos e produtividade. Ao todo, o setor destinou R$ 41,3 bilhões para operações no último ano, um salto de 6,8% em comparação a 2024. O foco principal desses aportes foi a modernização: R$ 26,7 bilhões foram aplicados diretamente em inovação, novas tecnologias e atualização de plantas industriais, visando aumentar a eficiência produtiva e a sustentabilidade das operações.

Para 2026, as projeções da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) indicam a continuidade dessa trajetória positiva. A expectativa é que as vendas apresentem uma expansão real entre 2% e 2,5%, acompanhada por um aumento de até 1,5% no nível de emprego. Segundo João Dornellas, presidente executivo da ABIA, a estabilidade nas safras e a perspectiva de redução gradual dos juros criam um ambiente previsível para o planejamento estratégico do setor no próximo ciclo.
Mercado interno e geração de empregos
O faturamento total da indústria atingiu a marca de R$ 1,388 trilhão em 2025, impulsionado majoritariamente pelo mercado interno. Das vendas totais, R$ 1,02 trilhão foram gerados dentro do país, com destaque para o varejo (R$ 732 bilhões) e o segmento de food service (R$ 287,9 bilhões), que apresentou um crescimento nominal de 10,1%. Mesmo com o aumento de 5,1% nos custos de produção, o setor conseguiu limitar o repasse aos consumidores, mantendo a alta dos preços dos alimentos abaixo do índice geral do IPCA.
No campo social, o setor consolidou-se como o maior gerador de postos de trabalho na indústria de transformação, respondendo por 44,6% das novas vagas formais criadas no país. Com 51 mil novos empregos gerados em 2025, a força de trabalho direta alcançou 2,125 milhões de pessoas. Além disso, a massa salarial do setor registrou um crescimento de 9,94%, garantindo ganho real de renda para os trabalhadores acima da inflação do período.
A integração com o campo permanece como um dos pilares da indústria, que hoje adquire 62% de toda a produção agropecuária brasileira e 68% da produção vinda da agricultura familiar. Essa sinergia reflete-se também no comércio exterior, onde as exportações somaram US$ 66,73 bilhões em 2025. O saldo comercial do setor, de US$ 57,5 bilhões, foi responsável por mais de 84% do superávit total da balança comercial brasileira.
A Ásia continua sendo o principal destino dos produtos brasileiros, concentrando 41,1% das vendas externas, com destaque individual para a China. Mercados como a Liga Árabe e a União Europeia também mantiveram participações relevantes. Apesar dos desafios logísticos e tarifários globais, a indústria de alimentos inicia 2026 com bases sólidas, focada em manter sua competitividade internacional e sua relevância no desenvolvimento econômico nacional.