O Magazine Luiza encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões, o que representa uma queda de 10,5% em comparação ao mesmo período de 2024. A receita líquida da companhia entre outubro e dezembro somou R$ 11,15 bilhões, registrando uma alta de 3,4%. O desempenho reflete uma mudança de postura da varejista, que passou a privilegiar a sustentabilidade financeira e a geração de caixa em detrimento de um crescimento acelerado.

Segundo Roberto Bellissimo, CFO da companhia, a decisão de “não crescer a qualquer custo” foi estratégica para enfrentar o cenário de juros elevados no Brasil. No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 158,9 milhões, enquanto o Ebitda ajustado anual alcançou R$ 3,06 bilhões, um avanço de 3,4% na comparação anual.
Desaceleração no e-commerce e força no canal físico
Um dos pontos centrais do balanço foi a retração de 5,3% nas vendas totais do e-commerce durante o quarto trimestre. Bellissimo atribui esse movimento a uma escolha deliberada de reduzir a participação em categorias de baixa rentabilidade, onde a concorrência digital tem adotado práticas consideradas agressivas, como o frete grátis para produtos de baixo valor com margens negativas.
Em contrapartida, o canal físico demonstrou resiliência e ganhou protagonismo. As lojas físicas registraram um crescimento de 8,7% nas vendas no último trimestre do ano, permitindo que a companhia ganhasse participação de mercado nesse segmento. No total, as vendas do Magalu atingiram R$ 18,2 bilhões no período, com uma leve redução de 1,1% em relação ao ano anterior devido ao recuo nas operações digitais.
Diversificação e estrutura de capital
A estratégia de diversificação de portfólio implementada nos últimos anos foi apontada como o principal fator de resiliência do grupo. Ao reduzir a dependência de bens duráveis, que são mais sensíveis às oscilações da Selic, o Magazine Luiza conseguiu manter resultados positivos mesmo com a taxa de juros na casa de 15%. A diversificação permitiu que a operação se tornasse menos vulnerável às pressões macroeconômicas que afetaram o varejo de eletrônicos e eletrodomésticos.
No encerramento de 2025, a companhia apresentou uma estrutura de capital sólida, com um caixa total de R$ 8 bilhões, somando aplicações financeiras e recebíveis de cartão de crédito. O caixa líquido ajustado fechou o período em R$ 3,1 bilhões. Para a diretoria, o foco em categorias mais sustentáveis e a disciplina na alocação de capital posicionam o Magalu de forma equilibrada para os desafios do próximo ano fiscal.