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Varejo alimentar registra queda em unidades vendidas em fevereiro

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista e redatora no portal E-Commerce Brasil em constante busca pelas melhores histórias.

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O varejo alimentar brasileiro apresentou um cenário de estabilidade no faturamento e retração no volume de vendas em fevereiro de 2026. Segundo dados do Radar Scanntech, o setor registrou uma leve alta de 0,2% no faturamento, mas enfrentou uma queda de 3% nas unidades comercializadas em comparação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi sustentado, em grande parte, pelo aumento de 3,3% no preço médio por unidade, compensando a redução de 4,5% no fluxo de consumidores nas lojas.

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(Imagem: Envato)

Apesar da queda mensal, o volume acumulado no primeiro bimestre permanece acima do registrado no ano anterior. Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech, observa que o consumidor tem adotado um comportamento mais racional, optando por embalagens maiores que oferecem um melhor custo-benefício por quilo. Esse movimento de troca de formatos tem ajudado a sustentar as vendas em volume total, mesmo com a diminuição do número de unidades individuais que passam pelos caixas.

Bebidas e clima impactam o desempenho do mês

O segmento de bebidas foi o principal responsável pela retração no período, com uma queda de 8,4% nas unidades vendidas. O faturamento da categoria cresceu apenas 0,5%, impulsionado por uma alta de 9,8% nos preços. O recuo foi mais acentuado em itens associados ao calor, como sucos, que caíram 15,4% em unidades, e cervejas, com redução de 12%.

A performance negativa dessas categorias está diretamente ligada às condições climáticas. Enquanto fevereiro de 2025 foi marcado por temperaturas acima da média histórica, o mesmo mês em 2026 registrou temperaturas dentro do esperado ou abaixo da média em regiões como Sul e Sudeste. Em contraste, categorias voltadas para socialização mostraram força: as bebidas alcoólicas prontas para beber cresceram 19,7% em valor, enquanto o setor de aperitivos avançou 21,3%.

Dinâmica dos canais e o efeito do Carnaval

Na análise por canais de venda, os supermercados conseguiram sustentar o faturamento com alta de 1,5%, com destaque para as lojas de vizinhança, que registraram os melhores resultados. Já o atacarejo enfrentou um mês difícil, com retração de 2,3% no faturamento e de 5,7% nas unidades vendidas. Os dados consideram apenas o modelo de lojas comparáveis, isolando o efeito de novas aberturas no período.

O feriado de Carnaval também influenciou os indicadores. Em 2026, a festa ocorreu no meio do mês, período em que a disponibilidade de renda do consumidor costuma ser menor em comparação ao início do mês, quando os salários são pagos. Durante os dias de folia, o varejo alimentar registrou queda real de 4,7% nas unidades vendidas. Regionalmente, as menores retrações foram observadas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, enquanto o Sul e o Norte registraram as quedas mais expressivas de faturamento.

Fora o setor de bebidas, a cesta de Mercearia Básica teve a queda mais relevante em faturamento, recuando 10,3%. Itens como arroz, açúcar e leite líquido apresentaram retrações significativas de valor, mesmo com a redução de preços médios. O relatório aponta que o barateamento desses itens essenciais não foi suficiente para estimular um aumento no volume de consumo, repetindo uma tendência já observada ao longo de 2025.

Por outro lado, o segmento Pet manteve uma trajetória de crescimento, avançando 3,9% em unidades. Outros destaques de alta na mercearia incluíram produtos específicos como sardinha enlatada, suplementos para academia e papinhas infantis. Esse cenário misto reforça que, embora o consumo de itens básicos esteja estagnado, nichos de conveniência e saúde continuam ganhando espaço no orçamento das famílias.