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4 em cada 10 varejistas já competem em novos setores, aponta pesquisa PwC

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista e redatora no portal E-Commerce Brasil em constante busca pelas melhores histórias.

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A diluição das fronteiras entre diferentes indústrias tem transformado o perfil das companhias brasileiras. Segundo o recorte setorial da 29ª edição da Global CEO Survey, realizada pela consultoria PwC, 42% dos líderes de varejo e consumo no Brasil afirmam que suas empresas passaram a disputar espaço em novos setores nos últimos cinco anos. O levantamento, que ouviu mais de 4.400 executivos globalmente, mostra que o varejo caminha para se tornar um ecossistema cada vez mais diversificado e multifacetado.

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(Imagem: Envato)

Para Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo da PwC Brasil, o desaparecimento das barreiras tradicionais entre setores reflete a busca por novas avenidas de crescimento. Embora o índice de 42% seja expressivo, ele ainda se mantém abaixo da média geral entre as empresas brasileiras de outros segmentos, que chega a 51% na abertura de novas frentes de atuação.

Desafios operacionais e cautela com a receita

Apesar da expansão para novos mercados, o clima entre os CEOs é de cautela no curto prazo. A confiança no crescimento de receita para os próximos doze meses recuou de 51% para 39%, reflexo de um cenário macroeconômico instável. Entre as maiores ameaças citadas pelos líderes brasileiros aparecem a inflação, a falta de mão de obra qualificada e a instabilidade econômica, mencionadas por 42% dos entrevistados. Riscos cibernéticos e a velocidade da disrupção tecnológica também preocupam 30% dos gestores.

Essa pressão econômica reflete na agenda dos executivos. Atualmente, 62% do tempo dos líderes do setor é consumido por temas com horizonte inferior a um ano, número superior à média nacional de 57%. Essa concentração em resolver o imediato, segundo a análise da PwC, acaba estreitando o espaço para discussões mais profundas sobre estratégias de médio e longo prazo, fundamentais para a reinvenção do negócio.

Inteligência artificial e maturidade em inovação

O uso de inteligência artificial (IA) já começa a mostrar resultados financeiros, embora ainda em estágio inicial. No último ano, 34% das empresas do setor registraram ganhos de receita atribuídos à tecnologia. Contudo, a maioria dos CEOs ainda vê um impacto modesto nas operações: 55% apontam pouco efeito nos custos e 66% relatam que o impacto nas receitas ainda é reduzido. A percepção é que o varejo atravessa um período de adaptação e aprendizado com a nova ferramenta.

No quesito inovação, o setor demonstra fôlego, mas enfrenta dificuldades na execução ágil. Apenas 18% das empresas de varejo e consumo adotam a prática de testar novas ideias rapidamente com os usuários finais, índice que fica bem abaixo da média nacional de 28%. Esse descompasso sugere que, embora a inovação seja considerada relevante para mais da metade dos líderes, a implementação de metodologias ágeis ainda encontra barreiras culturais ou operacionais.

Gestão de riscos lidera no varejo

Um ponto em que o varejo se destaca positivamente é na gestão ambiental. O estudo aponta que 30% das empresas do setor possuem processos definidos para avaliar riscos climáticos em suas cadeias de suprimentos, superando significativamente a média nacional de 18%. Luciana Medeiros explica que o varejo sente o impacto climático de forma direta, seja na falta de produtos na gôndola ou em dificuldades logísticas na entrega.

No entanto, a sócia da PwC ressalta que essa maturidade operacional precisa ser acompanhada por mudanças na gestão financeira. Para uma reinvenção completa, o setor precisa integrar critérios climáticos de forma mais incisiva na alocação de capital e nos investimentos de longo prazo, superando a visão meramente operacional para garantir a sustentabilidade do negócio diante das transformações globais.