A LVMH, maior grupo de luxo do mundo e detentora de marcas como Louis Vuitton e Tiffany, registrou vendas acima das expectativas no quarto trimestre, mesmo em um cenário marcado por tensões comerciais, dólar desvalorizado e preços elevados do ouro, fatores que pressionam as margens do setor.

No período, as vendas totais alcançaram 22,7 bilhões de euros, o equivalente a US$ 27,1 bilhões, um crescimento de 1% em termos comparáveis. O resultado contrasta com a previsão de queda de 0,3% apontada pelo consenso de analistas reunido pela Visible Alpha.
A divisão de moda e artigos de couro, principal fonte de lucro do grupo, apresentou recuo de 3% na receita após o ajuste cambial. O desempenho ficou em linha com as estimativas do mercado e reflete a continuidade de um ambiente mais seletivo para o consumo de bens de alto valor.
Apesar das pressões globais, a LVMH indicou sinais de retomada na Ásia. O grupo informou crescimento nas vendas domésticas na China durante o trimestre, confirmando uma recuperação gradual que já vinha sendo sinalizada nos últimos meses e reforçando a expectativa de melhora do desempenho regional ao longo de 2026.
Momento de crise
Em 2025, durante a assembleia anual do grupo, os resultados apontaram a perda de mais de 120 bilhões de euros do valor de mercado do conglomerado, retirando seu posto de empresa mais valiosa da França. O valor revelou não apenas o declínio do LVMH, mas expôs o sintoma: uma crise no mercado de luxo.
Outros grupos, como Kering, dona de marcas como Bottega Veneta, Saint Laurent, Gucci e Balenciaga, também atravessa um momento difícil, reflexo das tarifas comerciais do presidente Donald Trump impostas à China.
A situação da Dior e Burberry também não está diferente. A crise do mercado de luxo também é uma reverberação da mudança de comportamento do consumidor, que está cada vez mais preocupado com sustentabilidade, experiências e um estilo de vida mais frugal.