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Reforma Tributária ainda gera dúvidas para 42% das PMEs, diz Serasa Experian

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

A Reforma Tributária já entrou na agenda de planejamento das micro e pequenas empresas (PMEs), mas grande parte do setor ainda avalia como as mudanças afetarão a operação no dia a dia. É o que mostra a sexta edição do Panorama PME, levantamento da Serasa Experian divulgado recentemente.

Reforma Tributária ainda gera dúvidas para 42% das PMEs, diz Serasa Experian
(Imagem: Envato)

Segundo o estudo, 42% das empresas ainda estão analisando os possíveis impactos da reforma em seus negócios. O dado indica que, embora o tema tenha ganhado espaço no debate empresarial, muitas companhias ainda buscam entender como a nova estrutura tributária poderá influenciar decisões práticas, como formação de preços, projeções de margem e ajustes operacionais.

O levantamento também aponta percepções divididas sobre o tema. Cerca de 31% das empresas avaliam a reforma de forma positiva, enquanto 22% demonstram uma visão mais negativa. Para os autores do estudo, o cenário reflete um momento de interpretação e adaptação do mercado diante das mudanças previstas para o sistema tributário.

Outro indicador reforça esse estágio inicial de preparação. Quatro em cada dez PMEs afirmam não saber em que etapa de adaptação se encontram. Ao mesmo tempo, parte das empresas já avançou no processo: 17% dizem ter implementado a maior parte das mudanças necessárias, enquanto 15% relatam ter iniciado planejamento e ações práticas. Outros 14% ainda estão estudando o tema e 14% afirmam que não começaram a se preparar.

De acordo com Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, o tema ainda gera dúvidas entre empreendedores. Ele afirma que a reforma representa uma mudança estrutural relevante para o ambiente de negócios e que muitas empresas estão acompanhando o processo em diferentes estágios de adaptação.

A Reforma Tributária prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O novo sistema será composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.

A implementação começará em 2026, em caráter experimental, e seguirá de forma progressiva até 2033. Durante esse período, as empresas deverão conviver simultaneamente com o modelo atual e o novo sistema tributário.

Desafios operacionais

Além de avaliar os impactos gerais da reforma, as empresas apontam desafios práticos para a adaptação. Entender as novas regras aparece como a principal dificuldade, citada por 20% dos respondentes.

Na sequência, 18% mencionam a necessidade de avaliar efeitos em custos, preços e margens. Outros obstáculos citados incluem garantir o cumprimento correto das obrigações fiscais (17%) e acompanhar mudanças regulatórias ao longo do processo de implementação (16%).

Também aparecem desafios relacionados à infraestrutura e à gestão interna. Ajustar sistemas e softwares foi citado por 11% das empresas, mesmo percentual das que destacam a necessidade de treinar equipes para lidar com as novas exigências.

Outros pontos mencionados incluem acompanhar futuras regulamentações (10%), organizar informações para o período de transição (9%) e comunicar mudanças a clientes e fornecedores (8%).

Perfil das empresas

Entre os participantes do levantamento, 39% são microempreendedores individuais (MEIs), 20% microempresas e 12% empresas de pequeno porte, refletindo o peso dos pequenos negócios na economia. O estudo também contou com 11% de empresas médias e 19% de grandes empresas.

Em relação ao regime tributário, 46% operam no Simples Nacional, que continuará com tratamento diferenciado mesmo após a implementação do novo modelo. Já 10% estão no regime de Lucro Real e 9% no Lucro Presumido.

Do ponto de vista setorial, predominam empresas de serviços (45%) e comércio (39%), seguidas pela indústria (16%).

Regionalmente, o Sudeste concentra 36% dos respondentes, seguido por Sul (23%), Nordeste (15%), Norte (14%) e Centro-Oeste (10%).

Metodologia

O levantamento foi realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, no site da Serasa Experian, e contou com 1.032 respondentes de empresas de todo o país, de diferentes portes e setores, incluindo serviços, comércio e indústria.

O estudo integra a sexta edição do Panorama PME, boletim trimestral que reúne dados proprietários da Serasa Experian e informações de mercado sobre o perfil, desempenho econômico e desafios enfrentados por micro, pequenas e médias empresas no Brasil.