Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas (ABCasa), em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado, indica que a compra de itens para o lar faz parte de um ciclo recorrente de consumo no Brasil. O levantamento ouviu 2 mil consumidores em todas as regiões do país e mostra que o intervalo médio entre aquisições desse tipo de produto é de 2,4 meses.

Segundo os dados, utilidades domésticas são compradas em média 5,4 vezes por ano, enquanto artigos de decoração aparecem com frequência anual de 4,4 compras. O resultado sugere uma dinâmica constante de reposição e renovação de produtos utilizados no cotidiano das casas brasileiras.
Para Eduardo Cincinato, presidente da ABCasa, a casa ganhou mais protagonismo na rotina das pessoas nos últimos anos, o que tem impactado o comportamento de consumo. De acordo com ele, os consumidores buscam tornar os ambientes mais funcionais e agradáveis, ao mesmo tempo em que se mostram mais atentos a preço, qualidade e à comparação de opções antes de concluir a compra.
Pesquisa online influencia decisões
Entre os entrevistados que pretendem adquirir itens para o lar, 68% demonstram maior interesse por artigos de decoração, enquanto 32% priorizam utilidades domésticas. Entre os produtos mais procurados para renovar os ambientes estão roupas de cama, mesa e banho, além de tapetes, cortinas e complementos de mobiliário. Já nas utilidades domésticas, predominam itens de uso recorrente, como artigos de higiene e banheiro, produtos de limpeza e utensílios de mesa.
A pesquisa também aponta que a jornada de compra combina canais físicos e digitais. Cerca de 67% dos consumidores afirmam pesquisar online antes de realizar a compra, principalmente para comparar preços, verificar funcionalidades dos produtos e avaliar prazos de entrega.
Mesmo com a influência do ambiente digital, as lojas físicas ainda concentram a maior parte das transações: 58% das compras são feitas presencialmente, enquanto 41% já ocorrem no comércio eletrônico.
As redes sociais também desempenham papel relevante na descoberta de tendências e inspirações para a casa. O Instagram aparece como principal canal de referência para acompanhar novidades no setor, citado por 56% dos entrevistados. Em seguida aparecem o Google, com 47%, e sites de lojas ou conteúdos especializados, mencionados por 31%.
Além disso, 69% dos consumidores dizem ter interesse em acompanhar lançamentos e tendências do segmento, indicando que fatores estéticos e de inovação continuam influenciando as decisões de compra.
Sustentabilidade na decisão de compra
O estudo também identificou avanço da sustentabilidade como critério relevante na escolha de produtos. Entre os consumidores que já adquiriram itens com esse atributo, 66% afirmam que o fator foi muito relevante para a decisão.
A pesquisa mostra ainda que 86% dos entrevistados estariam dispostos a pagar mais por produtos comprovadamente sustentáveis, aceitando um acréscimo médio de até 14% no valor.
De acordo com Cincinato, o tema deixou de ser apenas um diferencial e passou a integrar o processo de escolha de muitos consumidores, que demonstram maior atenção à origem dos produtos, aos materiais utilizados e à durabilidade dos itens adquiridos.
O levantamento também aponta o crescimento do setor no país. O mercado de artigos para casa encerrou 2025 com R$ 119 bilhões em vendas no varejo, avanço de 5,7% em relação ao ano anterior. Para 2026, a expectativa é de expansão de 6%.
Segundo o presidente da ABCasa, compreender as mudanças no comportamento de consumo se torna fundamental para orientar estratégias de inovação, desenvolvimento de produtos e posicionamento comercial em um mercado cada vez mais competitivo e conectado.