Recentemente, estive na sede do Google em Nova York para o GBP API Summit, e a percepção na volta ao Brasil é de que estamos prestes a atravessar a mudança mais drástica no comportamento das buscas locais da última década. Se nos últimos anos o foco do varejo foi “estar presente” no mapa, o novo paradigma exige algo muito mais profundo: performance conversacional.

A busca não é mais um diretório de links; ela se transformou em uma camada de ação impulsionada por IA. Com dois bilhões de usuários mensais utilizando o AI Overviews e o Gemini integrado nativamente ao Google Maps, entramos na era da agentic AI. Nela, o buscador não apenas aponta o caminho, mas toma decisões e executa ações em nome do usuário.
O consumidor não busca mais apenas por “restaurante”. Ele faz perguntas complexas e contextuais: “Onde encontrar um restaurante para jantar com amigos, que tenha estacionamento e um ambiente intimista?”. Para o varejo brasileiro, adaptar-se a essa realidade não é mais uma questão de TI, mas de sobrevivência comercial.
Consolidei abaixo cinco pilares fundamentais para preparar qualquer operação de varejo para essa nova era, unindo os aprendizados do Google durante o evento de Nova York às evidências do comportamento do consumidor local.
1. Torne-se a “fonte primária” através de dados estruturados
A inteligência artificial não “adivinha” o que sua loja oferece; ela aprende através de dados. O preenchimento básico de horários e telefone tornou-se obrigação. O diferencial competitivo agora reside nos menus e serviços estruturados. No setor de alimentação e serviços, não basta subir um PDF. É preciso cadastrar item por item, com descrição e preço. Esse é, atualmente, o fator decisivo para a IA entender se o seu negócio é a resposta exata para a pergunta complexa de um cliente.
2. A decisão é visual e instantânea
Em um ecossistema dominado por ferramentas como Google Lens e Circle to Search, a imagem é o gatilho da rota. Perfis que investem em fotos profissionais e vídeos reais da experiência no local recebem 42% mais solicitações de rota. O Google prioriza a qualidade visual porque ela é o sinal mais forte de que a promessa digital condiz com a realidade física.
3. Do “onde comprar” para o “como agir”
A busca está virando ação. O usuário quer reservar uma mesa, agendar um serviço ou verificar o estoque sem sair da tela de pesquisa. Facilitar essa jornada através de links de ação nativos (reservas e pedidos online) é o que separa a visualização da conversão real. No varejo moderno, o sucesso não é medido por cliques no site, mas por pedidos de rota e intenções de compra imediatas.
4. Avaliações: o coração do algoritmo e a hospitalidade digital
A reputação online deixou de ser uma métrica de vaidade para se tornar o motor do ranking orgânico. Para o Google, as avaliações são o reflexo mais fiel da experiência real. O mantra atual é a transparência: cultive avaliações honestas e, acima de tudo, responda a todas. A forma como uma empresa lida com um feedback negativo é, hoje, um dos fatores que mais influenciam a confiança do consumidor antes de ele decidir visitar a loja física.
5. O ecossistema conectado e a validação cruzada
A IA cruza dados para validar se a sua marca é quem diz ser. A consistência de informações (NAP – Nome, Endereço e Telefone) entre o site oficial, as redes sociais e o Google Business Profile (GBP) é um sinal de autoridade vital. Perfis abandonados ou informações divergentes geram “ruído” algorítmico, resultando em perda de visibilidade.
Conclusão
O futuro do SEO local não será vencido por quem entende mais de algoritmos técnicos, mas por quem entende melhor de clientes e sabe transformar a experiência da loja física em sinais digitais consistentes. A disputa agora é pelo contexto e pela confiança. O Google está amplificando a voz do consumidor; o papel das marcas é garantir que essa conversa seja positiva e, acima de tudo, fácil de ser transformada em ação.