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Economia da lealdade: quanto vale um cliente fiel?

Por: Marcel Ueno

Sócio-diretor da Blend Consultoria e member do grupo HSR Specialist Researchers. Graduado em Marketing pela ESPM, com pós-graduação em Gestão de Negócios pelo Insper e MBA em Ciência de Dados pela USP/ICMC. Possui mais de 20 anos de experiência em NPS e Customer Experience, com atuação em empresas como Banco ABN Amro Real e TNS Kantar, onde liderou práticas de CX na América Latina. Atualmente, na Blend, atua apoiando empresas de serviços, B2B, finanças e telecomunicações na transformação de dados de NPS em estratégias para redução de churn e crescimento sustentável.

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Nem todo cliente tem o mesmo valor para uma empresa, e entender essa diferença pode ser o que separa estratégias eficientes daquelas que apenas geram volume. No centro dessa equação, está um conceito cada vez mais estratégico para negócios de todos os portes: a economia da lealdade. Clientes promotores, aqueles que permanecem mais tempo, compram mais, indicam com entusiasmo e custam menos para manter, representam um impacto financeiro positivo que vai além do faturamento direto.

Bonecos de madeira, coração, “lealdade”, NPS e escala de satisfação de 0 a 10.
Imagem gerada por IA.

O NPS como ferramenta para mensurar valor real

O NPS (Net Promoter Score), uma das ferramentas mais utilizadas para mapear esse tipo de cliente, permite segmentar promotores, neutros e detratores com base em comportamentos e percepções. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, o NPS vai além de uma simples nota de 0 a 10: trata-se de uma métrica que, se bem aplicada, ajuda a calcular o valor da vida útil do cliente e estimar a rentabilidade relativa de cada grupo. Promotores tendem a ser menos sensíveis a preço, recomendam a marca, permanecem mais tempo e ampliam suas compras enquanto detratores representam alto custo operacional, menor margem e, muitas vezes, impacto negativo por meio do boca a boca.

Estudos indicam que mais de 80% das recomendações positivas vêm de promotores, enquanto 80% das negativas são atribuídas a detratores. A conta é direta: fidelizar um promotor é muito mais barato – e lucrativo – do que conquistar um novo cliente no mercado. Além disso, promotores tendem a atualizar seus serviços, comprar produtos de maior valor agregado e trazer novos clientes sem custos de aquisição. Por isso, entender o impacto de cada grupo vai além da intuição: exige análise detalhada dos dados de recompra, retenção, custo de atendimento e margem de contribuição.

Da métrica isolada à decisão estratégica

A pergunta estratégica que surge, então, é: qual o melhor caminho? Transformar clientes neutros em promotores? Reduzir o número de detratores? Ou investir mais naqueles que já demonstram alto valor? A resposta está na capacidade da empresa de interpretar suas métricas de forma conectada ao negócio. Aplicar o NPS de forma isolada, sem contexto ou análise profunda, é como tentar medir a temperatura de um corpo sem saber o que é febre.

A economia da lealdade ensina que crescimento sustentável não depende apenas de atrair novos clientes, mas de entender, valorizar e multiplicar os que já estão com você. E o primeiro passo é claro: medir certo, interpretar com profundidade e agir com estratégia.