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Tokenização, IA e mais: as tendências que cercam pagamentos na América Latina

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O setor de pagamentos passa por uma transformação acelerada na América Latina e no Caribe. Segundo estudo da Visa, o impulso da adoção de inteligência artificial (IA), expansão das stablecoins e o avanço de tecnologias como tokenização, biometria e pagamentos em tempo real são alguns dos fatores que podem alterar a estrutura atual.

Tokenização, IA e mais as tendências que cercam pagamentos na América Latina
(Imagem: Freepik)

Segundo as projeções da empresa, com tudo isso, consumidores e empresas terão o formato das transações alterados. Em 2026, a expectativa é que a América Latina se consolide como um dos mercados mais dinâmicos na adoção de soluções digitais de pagamento. O destaque vai para carteiras digitais, pagamentos por aproximação, autenticação biométrica e modelos baseados em Open Finance.

Checkout invisível e identidade digital

A tokenização e o uso de biometria tendem a reduzir de forma significativa a necessidade de checkouts manuais no comércio eletrônico. A expectativa é que, a partir de 2026, experiências de compra com um clique se tornem mais comuns, com impacto direto na redução do abandono de carrinho e nos índices de fraude.

Atualmente, cerca de metade das transações de e-commerce processadas pela Visa na América Latina e no Caribe já utilizam tokens. A migração dessas credenciais para ambientes em nuvem também deve ganhar escala, permitindo acesso seguro a partir de diferentes dispositivos e diminuindo a exposição de dados sensíveis.

Esse movimento se conecta à expansão do chamado comércio agêntico, no qual modelos de IA, como o ChatGPT, passam a ter agentes específicos para comparar preços, selecionar produtos e concluir compras de forma autônoma. Com mais de dois terços dos consumidores da região já recorrendo à IA para orientar decisões de compra, a tendência é de crescimento desse modelo nos próximos anos.

Fraudes, pagamentos em tempo real e stablecoins

O avanço da IA também amplia os desafios relacionados à segurança. Golpes baseados em deepfakes, identidades sintéticas e automação já pressionam o comércio eletrônico na região, onde a taxa de fraude chega a 3,9% — acima da média global. Nesse cenário, soluções como passkeys e tokens ganham relevância para fortalecer a verificação de identidade e mitigar riscos.

Em paralelo, os pagamentos conta a conta (A2A) em tempo real seguem se consolidando como alternativa ao uso de dinheiro em espécie. Iniciativas já implementadas em países como Brasil, Argentina e Costa Rica, combinadas a modelos de Open Finance, vêm redesenhando o fluxo de transferências entre pessoas e empresas. O Brasil aparece como referência regional nesse processo de interoperabilidade.

Mais apontamentos

As stablecoins também devem ganhar espaço em 2026, especialmente em remessas internacionais e transações transfronteiriças. A América Latina figura entre os mercados de crescimento mais rápido desse tipo de ativo digital, com potencial de uso ampliado à medida que avanços regulatórios entram em vigor. Pesquisas indicam que 60% dos consumidores latino-americanos consideram utilizar stablecoins para transferências internacionais no futuro.

O movimento atinge ainda as pequenas e médias empresas (PMEs). A região concentra mais de 93 milhões de PMEs, responsáveis por mais de 60% dos empregos, muitas delas em processo de digitalização. A adoção de pagamentos por QR Code, terminais móveis, faturamento eletrônico e cartões empresariais tende a se intensificar, ampliando o acesso dessas empresas ao ecossistema digital.

Com a convergência entre IA, identidade digital, pagamentos instantâneos e ativos digitais, 2026 deve marcar um novo capítulo para o setor de pagamentos na América Latina e no Caribe, com impactos diretos sobre o comércio eletrônico, os serviços financeiros e a inclusão digital.