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Taxa das blusinhas arrecada R$ 3,52 bi em 2025 e já afeta o consumidor

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista e redatora no portal E-Commerce Brasil em constante busca pelas melhores histórias.

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O Programa Remessa Conforme (PRC), popularmente conhecido como “taxa das blusinhas“, consolidou seu impacto fiscal e operacional no varejo brasileiro em 2025. Segundo levantamento da DC News baseado em dados da Receita Federal, o Brasil registrou 165,5 milhões de remessas internacionais ao longo do ano, gerando uma arrecadação de R$ 3,52 bilhões em impostos. O volume reflete a adesão massiva das plataformas de e-commerce ao programa, que já abrange 97% das encomendas que entram no país.

Mulher sorrindo para tela de um notebook com desenhos de vestidos.
(Imagem: Freepik)

O pico de movimentação ocorreu em novembro, impulsionado pela Black Friday, com 17,7 milhões de remessas e uma arrecadação de R$ 397,1 milhões. Em vigor desde 2024, o modelo tributário estabelece uma alíquota de 20% de imposto de importação para compras de até US$ 50, somada a 17% de ICMS. Para valores que ultrapassam esse teto, a tributação de importação sobe para 60%, medida adotada para equilibrar a competitividade entre o comércio nacional e os grandes marketplaces estrangeiros.

Perfil do consumidor e resistência à tributação

Apesar do alto volume de encomendas, o sentimento do consumidor em relação às taxas é de insatisfação. De acordo com o estudo “Consumo de Moda no Brasil“, da Opinion Box, realizado entre o final de 2025 e o início de 2026, 70% dos entrevistados se declaram contrários aos impostos embutidos em peças de vestuário para uso próprio. A pesquisa revela ainda que, embora 46% dos brasileiros mantenham o hábito de comprar em sites internacionais, 20% dos que já importaram afirmam não ter interesse em repetir a experiência, citando receios com a taxação e dificuldades em trocas.

O orçamento médio mensal do brasileiro para moda internacional situa-se majoritariamente na faixa entre R$ 101 e R$ 300 (48% dos entrevistados). Esse consumo recorrente indica que a importação de vestuário já está incorporada ao planejamento das famílias, com o preço sendo o principal fator de decisão para 74% do público, seguido pela qualidade (70%) e promoções (66%).

A consultoria IEMI aponta que 21% dos produtos de vestuário consumidos no Brasil são importados. O mercado interno viu o volume de peças crescer 42% entre 2000 e 2024, mas o valor real das vendas subiu apenas 7%, evidenciando uma queda acentuada no valor médio dos produtos comercializados. Esse cenário de “moda barata” tem gerado o que especialistas chamam de fadiga de consumo devido ao excesso de opções.

Daniela Dantas, CCO da WGSN, destaca que o momento exige um “renascimento da curadoria” por parte dos varejistas. Com a tecnologia atuando como facilitadora, o desafio das marcas agora é oferecer jornadas de compra mais assertivas e memoráveis, combatendo a saturação do mercado e a resistência gerada pelo novo cenário tributário. Para o varejo nacional, o desafio permanece em converter o consumidor que busca preço baixo no exterior em um cliente fiel às marcas locais.