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Marcas buscam humanizar imagens para ganhar confiança do consumidor

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

A iStock divulgou, nesta semana, o relatório Tendências de Marketing para 2026, com foco em como pequenas e médias empresas (PMEs) devem adaptar suas estratégias visuais e narrativas. O cenário atual é marcado pela popularização da inteligência artificial (IA) generativa e pela queda na confiança do público em conteúdos publicitários.

Marcas buscam humanizar imagens para ganhar confiança do consumidor
(Imagem: Envato)

O levantamento parte de dados da pesquisa VisualGPS, conduzida pela plataforma, que aponta um paradoxo crescente no mercado. Enquanto a produção de conteúdo se acelera, a credibilidade das marcas é cada vez mais questionada.

De acordo com o relatório, seis em cada dez pessoas afirmam desconfiar da publicidade que consomem, principalmente por acreditarem que os materiais são gerados por IA, manipulados ou pouco autênticos. Para as PMEs, o contexto representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade de diferenciação.

Estratégia visual ganha peso

Com ferramentas de IA cada vez mais presentes na criação de apresentações, e-mails, sites e publicações em redes sociais, o volume de materiais visuais cresce rapidamente. No Brasil, 63% dos entrevistados dizem usar IA generativa com mais frequência do que há um ano, impulsionados pela facilidade de produzir conteúdos com aparência profissional. O efeito colateral, segundo a iStock, é a padronização estética.

Testes conduzidos pelo VisualGPS indicam que 83% dos consumidores globais afirmam que imagens de maior qualidade têm mais chance de se destacar, reforçando a importância de clareza, realismo e cuidado visual. Entre brasileiros, quase 60% demonstram preferência por imagens percebidas como “reais”, o que amplia a relevância de conteúdos que transmitam autenticidade, mesmo quando apoiados por tecnologia.

O risco da monotonia visual

Segundo o estudo, a adoção massiva de soluções generativas tende a produzir imagens semelhantes entre si, com estética excessivamente polida. Elementos como pele muito lisa, simetria extrema, iluminação uniforme e aparência clínica estão entre os principais sinais que levam o público a identificar um conteúdo como artificial — e, consequentemente, a desconfiar da mensagem.

Para as PMEs, a recomendação é equilibrar o uso estratégico da IA com imagens que tragam textura, imperfeições e presença humana, preservando credibilidade e identidade própria em meio ao excesso de estímulos visuais.

Guia para design

Outra tendência destacada é a valorização do improviso e da espontaneidade. Em reação à precisão algorítmica, cresce a preferência por visuais que evidenciem processos, materiais e pequenas imperfeições. Texturas, arte ingênua e composições menos previsíveis passam a ser associadas à autenticidade.

Nesse contexto, o estudo aponta que os chamados “acidentes felizes” se tornam ativos de marca, sinalizando franqueza e proximidade em um ambiente saturado por imagens excessivamente controladas.

Conforto e bem-estar

O relatório também conecta as tendências visuais a um pano de fundo social mais amplo. Entre os brasileiros, preocupações como estabilidade financeira, custos de saúde e cenário global figuram entre as principais fontes de ansiedade. Diante disso, cresce o desejo por equilíbrio, segurança e bem-estar nos próximos anos.

Visualmente, essa mudança se traduz na valorização de imagens que comuniquem descanso, regeneração e relações significativas. Momentos cotidianos, encontros intimistas e experiências que transmitam pausa e cuidado ganham espaço como representação de um futuro mais estável e humano.

Para a iStock, o conforto deixa de ser apenas um atributo funcional e passa a ocupar o centro das aspirações, influenciando a forma como marcas constroem narrativas e se conectam com seus públicos em 2026.