Um estudo da Stone em parceria com a Provokers mostra que 2025 tem sido um ano de desempenho fraco para o varejo brasileiro, marcado por juros elevados, menor consumo e aumento das dificuldades operacionais entre pequenos e médios negócios. Os dados constam no relatório “Dores e Soluções do Varejo”, baseado em pesquisas com mais de 1.800 empreendedores de todo o país.

Segundo o levantamento, entre junho e agosto as vendas ficaram, em média, 2,8% abaixo do mesmo período de 2024. No terceiro trimestre, o recuo foi de 0,6% em relação ao ano anterior. O ambiente econômico ajuda a explicar o resultado. A taxa Selic permanece em 15%, com juros reais próximos de 10%, um dos níveis mais altos da série histórica. Isso encarece o crédito, reduz o consumo e pressiona o caixa das empresas.
Fim do ano será decisivo para o varejo
O estudo mostra que 27% das vendas anuais do varejo ocorrem no quarto trimestre, impulsionadas pelo pagamento do 13º salário e aumento da renda disponível. Dezembro tem peso 22% maior nas transações com cartão, reforçando a importância do período para a recuperação do setor.
No entanto, o humor do empreendedor mudou ao longo do segundo semestre. Centro-Oeste e Sul apresentaram maior otimismo em agosto, setembro e outubro, enquanto Nordeste e Sudeste registraram queda no indicador no último mês analisado.
Dores centrais: vender mais, crédito e gestão
As três dores mais citadas pelos empreendedores são vender mais (34%), crédito (33%) e gestão (33%). Entre autônomos e MEIs, vender mais lidera (39%), seguida por crédito (38%). Já entre PMEs, gestão é o maior desafio, afetando 50% dos entrevistados.
Há diferenças regionais. No Sul, vender mais é a principal dor (40%). No Sudeste e Nordeste, crédito pesa mais. Já Sul e Centro-Oeste relatam maior dificuldade na gestão.
O estudo aponta mudanças na forma de vender. Para PMEs, o atendimento presencial ainda domina (94%), seguido por WhatsApp (57%) e redes sociais (42%). O e-commerce aparece com apenas 17%, e marketplaces com 9%. Entre autônomos e MEIs, presencial e WhatsApp empatam com 53%, indicando multicanalidade, mas com baixa digitalização.
O cartão de crédito se destaca como principal meio para financiar melhorias e recompor estoque. Para 52% das PMEs, ele é usado para investir no negócio; para 39%, para compras rotineiras. Entre MEIs e autônomos, os índices são de 37% e 27%, respectivamente.
Gestão manual ainda é regra
A pesquisa revela baixa maturidade em processos administrativos. Entre os clientes Stone e Ton:
- 67% fazem pagamentos manualmente;
- 74% não usam sistemas de gestão para custos e despesas;
- 36% antecipam recebíveis por dificuldade em organizar o fluxo de caixa;
- No controle de jornada, apenas 20% das PMEs usam sistemas automatizados e 38% dos clientes ainda fazem registro de ponto totalmente manual.
Cenário exige eficiência
Os dados reforçam que o varejo entra no fim de 2025 pressionado pelo consumo fraco e pelas dificuldades operacionais das empresas. A necessidade de digitalização, melhor gestão de caixa e processos mais eficientes aparece como tendência clara para PMEs e microempreendedores em 2026.
Então, à medida que crescem, a demanda por gestão também precisa acompanhar esse movimento. Apenas no segundo trimestre de 2025, as PMEs movimentaram R$ 19,4 bilhões em vendas no comércio eletrônico, segundo a LWSA.
As chamadas “datas duplas” ajudaram na consolidação dos pequenos e médios empreendedores, e com a chegada da temporada de compras, como a Black Friday e Natal, mais da metade das PMEs planejam promover ofertas ou lançar novidades durante o período, o que sinaliza um aumento da demanda e organização para as datas, assim como a preparação para o próximo ano.