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Varejo deve crescer mais lento em 2025, diz Bradesco

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O Bradesco revisou para baixo suas projeções para o desempenho do varejo brasileiro em 2025. Segundo relatório divulgado pela instituição financeira, as vendas do setor devem avançar 1,6% no próximo ano, abaixo dos 4,1% registrados em 2024.

Varejo deve crescer mais lento em 2025, diz Bradesco
(Imagem: Envato)

O banco avalia que o consumo das famílias seguirá em expansão no terceiro trimestre, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pela possível liberação de R$ 12 bilhões em precatórios. Mesmo assim, a expectativa é de que os investimentos dos varejistas continuem em ritmo lento.

Projeções econômicas

O Produto Interno Bruto (PIB) deve apresentar estabilidade no segundo semestre e encerrar 2025 com alta de 2,1%. Para os demais indicadores, o Bradesco mantém as estimativas: Selic em 15%, dólar a R$ 5,50, desemprego em 5,9% e dívida bruta em 80,2% do PIB. A única revisão foi no IPCA, que passou de 4,9% para 4,7% ao ano.

O relatório indica que o Banco Central (BC) deve iniciar o ciclo de cortes de juros apenas em janeiro de 2026. A Selic acumulada em 12 meses deve encerrar 2025 em 14,33%, enquanto a Selic real, descontada a inflação, deve alcançar 9,23%. Para o crédito geral, o banco projeta expansão anual de 7,4%.

Inflação e mercado de trabalho

A redução das expectativas de inflação é atribuída à valorização do câmbio e à estabilidade dos preços dos alimentos, que reduziram custos repassados ao consumidor. O Bradesco prevê aumento real dos rendimentos próximo de 4% em 2025, o que pode manter a inflação de serviços em torno de 5%.

A taxa de desemprego deve se manter em 5,9% em 2025, com alta prevista para 6,5% no ano seguinte.

Desempenho setorial

A instituição chama atenção para sinais de desaceleração nos índices de confiança e na demanda observada pelos empresários. O crescimento do PIB tem sido puxado por segmentos ligados à indústria extrativa, enquanto setores mais sensíveis aos juros mostram desempenho abaixo do esperado.

O relatório também destaca que a absorção doméstica cresceu menos que o PIB total pela primeira vez desde 2023, sinalizando menor pressão sobre a capacidade ociosa da economia e indicando tendência de expansão mais moderada nos próximos trimestres.