O comércio eletrônico dos Estados Unidos superou US$ 10 trilhões em vendas acumuladas no terceiro trimestre de 2025, alcançando um marco histórico que confirma a consolidação do canal como infraestrutura central do varejo. O dado, compilado a partir das estatísticas do Departamento de Comércio dos EUA, reflete uma trajetória de crescimento marcada por regularidade ao longo de mais de duas décadas.

Desde que o governo norte-americano passou a monitorar o setor, em 1999, o e-commerce atravessou três fases bem definidas.
- Entre 2001 e 2007, o mercado viveu um período de rápida adoção, com taxas trimestrais de crescimento entre 20% e 40%, à medida que as compras online deixaram de ser experimentais.
- De 2010 a 2019, o crescimento se estabilizou entre 10% e 20% por trimestre.
- Em 2022, o setor entrou em um estágio de maturidade, com avanços mais moderados, entre 5% e 10%.

Ao longo de 25 anos, apenas dois eventos interromperam esse padrão: a crise financeira global de 2008–2009 e a pandemia entre 2020 e 2021. Fora esses episódios, apenas cinco trimestres apresentaram variações fora das faixas históricas observadas. Os dados mais recentes indicam que o impulso provocado pela pandemia foi absorvido e que o setor voltou à sua trajetória estrutural.
A escala atual do mercado evidencia essa transformação. Apenas no terceiro trimestre de 2025, o e-commerce norte-americano movimentou US$ 275 bilhões, valor superior ao total acumulado pelo setor entre 1999 e o segundo trimestre de 2005. Mesmo com uma taxa trimestral de crescimento de 5,2%, típica de um mercado maduro, o volume absoluto gerado em um único trimestre supera com folga os resultados anuais do início da série histórica.
A normalização do crescimento também indica uma correção de expectativas após a pandemia. A aceleração observada entre 2020 e 2021 não representou uma mudança estrutural permanente, mas uma antecipação de consumo que foi diluída nos anos seguintes. Com isso, a participação do e-commerce no varejo total voltou a crescer em ritmo mais lento, compatível com o estágio atual do mercado.
Paralelamente, o ambiente competitivo passou por mudanças relevantes. O número de vendedores ativos na Amazon caiu cerca de 25% em relação ao pico histórico, enquanto aumentou de forma expressiva a concentração de receita entre grandes operadores. O volume de vendedores que faturam mais de US$ 100 milhões por ano quadruplicou, e as taxas de novos cadastros diminuíram, com a saída de vendedores ocasionais.
Esse movimento elevou o nível de exigência operacional. Para permanecer competitivo, os vendedores precisam lidar com publicidade avançada, uso intensivo de inteligência artificial, cadeias de suprimentos mais complexas e estratégias multiplataforma. Em contrapartida, o tráfego médio por vendedor ativo cresceu 31% desde 2021, refletindo a redução da concorrência numérica.
Com o avanço para uma fase de maturidade, o crescimento anual do e-commerce norte-americano tende a se manter na faixa de 5% a 8% nos próximos anos, na ausência de novas rupturas globais. Ainda assim, a expansão segue relevante em termos absolutos. A base ampliada do setor indica que os próximos US$ 10 trilhões em vendas acumuladas devem ser alcançados em um intervalo menor do que o necessário para atingir o patamar atual.
* Com informações do Marketplace Pulse.