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Demanda do e-commerce sustenta crescimento dos galpões no país

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O mercado brasileiro de galpões logísticos encerrou 2025 com nível elevado de atividade e sinais de equilíbrio entre oferta e demanda. A taxa de vacância nacional fechou o ano em 7,7%, o menor patamar da série histórica, enquanto o país adicionou quase 3 milhões de metros quadrados (m²) de novo estoque — o maior volume desde 2022. Os dados são da pesquisa First Look, da JLL.

Demanda do e-commerce sustenta crescimento dos galpões no país
(Imagem: Envato)

O preço médio de locação atingiu R$ 30,7 por metro quadrado, alta de 7,8% em doze meses. Ao longo do ano, foram entregues 81 empreendimentos logísticos em 19 estados, evidenciando a ampliação geográfica dos investimentos. Do total, 39 projetos corresponderam à expansão de condomínios existentes e 42 foram implantados em novas localidades.

Segundo André Romano, gerente da divisão Industrial e Logística da JLL, o avanço das entregas reflete uma estratégia cada vez mais recorrente no setor, baseada no desenvolvimento faseado dos ativos. Para ele, a combinação entre volume recorde de novas áreas e vacância em nível historicamente baixo indica um mercado estruturado, com absorção consistente do estoque à medida que os empreendimentos entram em operação.

Varejo e e-commerce sustentam demanda

O varejo e o comércio eletrônico seguiram como alguns dos principais motores de ocupação dos galpões logísticos. Mercado Livre e Shopee figuraram entre as maiores ocupações do período, reforçando a continuidade dos investimentos em centros de distribuição no país.

Apesar de adotarem estratégias distintas — uma concentrada em grandes hubs logísticos e outra com maior diversificação regional — as empresas seguem ampliando suas operações para garantir velocidade e eficiência na entrega ao consumidor final, avalia Romano.

Destaque regional

O estado de São Paulo respondeu por cerca de 1,5 milhão de m² do novo estoque entregue em 2025, aproximadamente metade do total nacional. Com preço médio de locação de R$ 34,5 por metro quadrado, acima da média do país, manteve ritmo acelerado de crescimento e consolidou-se como principal polo das grandes operações logísticas.

Entre as principais negociações do quarto trimestre, destaca-se a locação de 102 mil m² pela TK Logística, empresa ligada ao Toyota do Brasil, na região de Sorocaba. De acordo com Rafael Picerni, da JLL, o desempenho paulista reflete não apenas o volume de investimentos, mas também a qualidade da demanda, com operações maiores e mais estratégicas, capazes de sustentar valores que chegam a R$ 45 por metro quadrado em áreas com localização privilegiada.

Perspectivas para 2026

Para 2026, a expectativa é de manutenção do ritmo observado no último ano, com novas entregas e absorção gradual do estoque em diferentes regiões do Brasil. Fatores como demanda estrutural, expansão do e-commerce, reorganização das cadeias produtivas e estratégias de regionalização devem sustentar o desempenho do setor.

Segundo Picerni, mesmo com a continuidade das entregas, o mercado tende a permanecer ativo, com bom volume de negociações e vacância em níveis considerados saudáveis. Romano acrescenta que o segmento de galpões logísticos demonstra maturidade crescente, com decisões de investimento e ocupação cada vez mais orientadas ao longo prazo.