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Benchimol, Street e Vélez criam Instituto B55 para acelerar PMEs

Por: Alice Lopes

Jornalista no E-Commerce Brasil

Jornalista e redatora no portal E-Commerce Brasil em constante busca pelas melhores histórias.

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Três dos maiores nomes do empreendedorismo brasileiro nas últimas décadas, Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank), anunciaram nesta terça-feira (10) a criação do Instituto B55. A iniciativa, sem fins lucrativos, nasce com o propósito de atender pequenas e médias empresas que já sobreviveram à fase inicial de “rebentação”, mas que enfrentam dificuldades para dar o próximo salto de crescimento. O projeto é liderado pelo CEO Cristhiano Faé, empreendedor com histórico de sucesso em startups e na Endeavor, que completa o quarteto fundador.

Fundadores B55
(Image,: divulgação)

O diagnóstico que deu origem ao instituto revela um cenário preocupante: embora o Brasil seja o segundo país do mundo em potencial empreendedor, cerca de 70% das empresas estão estagnadas, andando de lado até, eventualmente, fecharem as portas. O B55, cujo nome remete ao conceito de “base” e ao código internacional do Brasil, pretende preencher esse vácuo, oferecendo não apenas educação, mas um ecossistema focado em ritmo, método e execução para transformar esse potencial em riqueza real para o país.

Conexões que mudam o jogo: do varejo tradicional à tecnologia

O grande diferencial do B55 não reside na teoria acadêmica ou no discurso de gurus de marketing digital, mas no poder de suas conexões. O instituto conta com um time de mais de 20 embaixadores que representam a elite do empresariado nacional. Entre os nomes confirmados para mentorias e aulas estão Jorge Paulo Lemann (3G Capital), David Feffer (Suzano), Fabricio Bloisi (Prosus), Mariano Gomide (VTEX) e os fundadores da Brex, Pedro Franceschi e Henrique Dubugras.

O foco do projeto é o empreendedor da economia real, como donos de transportadoras ou redes de clínicas, que já fatura milhões, mas não consegue ganhar escala por falta de conhecimento aplicado. Segundo Faé, uma única conversa com quem já construiu impérios pode mudar o jogo para esses negócios. Embora o setor de tecnologia também seja atendido, abraçar a economia tradicional, muitas vezes negligenciada pelo ecossistema de inovação, é um dos pilares centrais da organização.

Estrutura operacional e mentalidade de autossuficiência

O Instituto B55 foi estruturado nos últimos seis meses e operará em quatro frentes estratégicas:

  • Educação: imersões e cursos de curta duração para diferentes estágios de negócio;
  • Aceleração: programas intensivos e apoio com capital para empresas de alto potencial;
  • Comunidade: networking direto entre novos empreendedores e líderes de sucesso;
  • Hub físico: a criação de um campus físico está em análise, com conversas em andamento em diversas cidades.

Apesar do viés filantrópico e do aporte inicial milionário doado pelos fundadores, o B55 nasce com mentalidade de startup e meta de autossuficiência financeira já no primeiro ano. Atualmente com sede em São Paulo, o instituto lançará seu primeiro produto no dia 5 de março, com as atividades práticas iniciando em abril. O objetivo final, segundo Faé, não é o faturamento da entidade, mas a criação dos próximos grandes cases de impacto do país, ajudando empresas a se prepararem inclusive para futuras aberturas de capital.