O varejo brasileiro de artigos para casa deve encerrar o ciclo de 2025 com crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 119 bilhões em vendas. A estimativa é da ABCasa, que aponta resiliência do consumo mesmo em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito.

Mais do que o avanço em faturamento, os dados indicam uma mudança no comportamento do consumidor. As compras seguem acontecendo, mas de forma mais planejada, com maior atenção a preço, utilidade e durabilidade dos produtos. Esse movimento tem exigido ajustes nas estratégias da indústria e do varejo.
Produção cresce menos e margens ficam pressionadas
Do lado da indústria, a receita atingiu R$ 65,1 bilhões em 2025, com alta de 0,8%. Já o consumo interno aparente somou R$ 72,7 bilhões, crescimento de 2,6%. A diferença entre o ritmo do varejo e o da produção sinaliza um ambiente competitivo, com maior pressão sobre as margens, especialmente diante do aumento das importações.
O comportamento dos preços reforça esse cenário. A inflação dos artigos para casa fechou o ano em 2,13%, abaixo do IPCA, que ficou em 4,26%. O dado mostra o esforço do setor para limitar repasses e preservar o volume de vendas, ainda que isso reduza a rentabilidade das operações.
Importações avançam e China mantém protagonismo
No comércio exterior, as importações de artigos para casa somaram US$ 2,2 bilhões em 2025, crescimento de 9,9% na comparação anual. As exportações, por sua vez, alcançaram US$ 853 milhões, com alta de 1%.
A China segue como principal origem dos produtos importados, respondendo por cerca de 74% do total. Para a entidade, o avanço das importações amplia a concorrência e adiciona desafios à indústria nacional.
Segundo Eduardo Cincinato, presidente da ABCasa, o setor vive um momento de transição. “Crescemos em valor, com inflação controlada, mas com um consumidor mais atento ao preço e à utilidade. O desafio é equilibrar competitividade, fortalecer a produção nacional e lidar com a pressão das importações”, afirma.
E-commerce puxa resultados
O comércio eletrônico tem papel relevante nesse desempenho. As vendas online de móveis e itens de decoração cresceram 30% em junho, tanto em volume de compras quanto na ampliação da oferta por parte dos lojistas, segundo levantamento da JoomPulse.
O estudo acompanha, em tempo real, a relação entre oferta e demanda no e-commerce brasileiro e indica que o canal digital segue como um dos principais vetores de crescimento para o segmento de artigos para casa, mesmo em um contexto de consumo mais seletivo.