O Congresso Moda&Beleza aconteceu em São Paulo nesta quinta-feira, 27 de março, para um público seleto de empreendedores, empresários e influenciadores do meio digital, com o objetivo de fomentar conteúdo técnico e networking especializado.
Krizia Gatica, consultora líder da WGSN Mindset Latam, abriu a plenária de Beleza para falar sobre comportamento além da estética. A WGSN é autoridade global em previsão de tendências, fornecendo dados para compreender o consumidor do futuro.

“O estudo de tendências envolve metodologias bastante complexas, principalmente diante de um cenário digital com mudanças tão rápidas”, levantou Gatica. De acordo com a especialista, é importante levar em consideração, além do viral, aspectos sociais, políticos e econômicos que muitas vezes fogem da percepção de quem apenas analisa a superfície do que acontece nas redes.
Sentimentos e propulsores do consumo
Um dos aspectos mais relevantes para compreender as tendências futuras é ver quem serão essas pessoas consumidoras daqui alguns anos. Estudos apontam que até 2030, o Brasil terá a 5º população com mais idosos no mundo, de forma que é essencial já começar a pensar em narrativas que englobem o aspecto etário da população.
Bem-estar, soluções ancestrais e “microalegrias” também aparecem como pontos de importância para compreender os propulsores dos sentimentos diante do cenário internacional. A chegada da geração Alpha, filha dos Millennials, também deve ser contemplada, uma vez que mesmo não precisando já participam em peso das decisões de consumo de seus pais e do ritmo de produção de conteúdo para as redes sociais.
A executiva explica que dentro dessa nova realidade os consumidores procurarão cada vez mais narrativas de beleza que visem um bem-estar espiritual, que se mesclam com o mercado de produtos. Nesse cenário, saberes ancestrais e procedimentos estéticos se misturam, combinando cultura e um olhar moderno. “Vemos práticas sendo reimaginadas para estilos de vidas mais modernos e garantindo que esse aspecto cultural permaneça vivo para as próximas gerações”.
Beleza em casa
Ainda contemplando a ideologia de bem-estar, a WGSN captou tendências que mostram que os consumidores estão associando a beleza como uma extensão do descanso e convívio doméstico. Já é possível encontrar produtos de lavanderia que investem em fragrâncias e estéticas da indústria de beleza para complementar o cuidado pessoal.
Dentro de casa, a lógica de cuidado físico e emocional passa a englobar também os pets, animais de estimação vistos como parte da família. Fragrâncias que eliminem odores ou que trazem sensações positivas estão sendo cada vez mais adotadas.
“Como consumidores, estamos percebendo que tudo o que colocamos no mundo precisa ter um propósito claro. A tendência ‘feito para desaparecer’ adota a premissa de que é possível dar uma vida útil além do consumo”, explica. Gatica dá o exemplo de produtos cuja embalagem podem ser usadas como difusores, suportes de incenso ou até porta-retratos. Outra possibilidade são as embalagens biocompatíveis, que se desintegram completamente após descartadas.
Apelo sensorial
Nesse sentido, a WGSN aponta a cultura da auto indulgência como uma tendência crescente que deve estar na mira das marcas. As microalegrias, os mimos diários e os pequenos luxos do dia a dia não devem passar despercebidos.
A beleza recreativa, muito associada às gerações mais novas, como a Geração Alpha, também são formas de conseguir conquistar públicos consumidores até então ignorados pelas estratégias de beleza e skin care. Para a Geração Z, por outro lado, é possível perceber a busca por práticas saudáveis mais flexíveis à rotina.