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Redes sociais aumentam pressão por autocuidado, aponta pesquisa

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

O autocuidado, associado a bem-estar e equilíbrio, tem sido vivido por parte dos brasileiros como mais uma fonte de pressão. É o que mostra um levantamento do PiniOn, segundo o qual 61% dos entrevistados afirmam sentir cobrança para manter uma rotina considerada equilibrada. A percepção é mais forte entre mulheres e entre jovens e adultos de 18 a 34 anos.

(Imagem: Mart Production/Pexels)

Ao mesmo tempo, práticas ligadas à saúde já fazem parte da rotina de uma parcela relevante da população. De acordo com a pesquisa, 52,5% praticam atividade física, 37% dizem manter uma alimentação equilibrada, 29,4% cuidam da pele e 15,9% meditam com regularidade. O contraste entre adesão aos hábitos e sensação de cobrança aponta para um cenário em que o bem-estar passa a ser influenciado por expectativas externas e comparação social.

Para Talita Castro, CEO do PiniOn, o autocuidado vem sendo incorporado de forma cada vez mais performática. Segundo ela, conteúdos de bem-estar disseminados nas redes sociais reforçam padrões difíceis de alcançar e pouco conectados à realidade cotidiana, transformando práticas que deveriam promover descanso em metas a cumprir.

A pesquisa indica que 25,7% dos entrevistados sentem constantemente que precisam “performar” atividades ligadas ao autocuidado, enquanto 59,6% relatam essa sensação de forma ocasional. A culpa por não conseguir manter essas rotinas também é recorrente: 21,4% afirmam sentir culpa sempre, e 57,5% dizem sentir às vezes.

Influência das redes sociais e pessoas próximas

As redes sociais aparecem como um fator relevante nesse processo. Instagram, TikTok e YouTube são citadas como as plataformas que mais estimulam comparação e cobrança. Entre os jovens, o TikTok se destaca, enquanto o Instagram tem maior influência entre pessoas de 25 a 34 anos. Quase 40% dos entrevistados afirmam realizar atividades de autocuidado com o objetivo de postar nas redes, e proporção semelhante diz dedicar mais atenção à aparência do que ao bem-estar em si.

A comparação constante também é frequente: 17,8% dizem se comparar sempre com outras pessoas, e 41,9% às vezes. Esse comportamento está associado a sentimentos como insegurança, ansiedade e angústia, especialmente entre mulheres e adultos mais jovens.

Quando questionados sobre o que define uma vida equilibrada, os entrevistados priorizaram estabilidade financeira, consciência dos próprios limites, gerenciamento emocional e orgulho pessoal. Já entre os fatores que ajudariam a reduzir a cobrança estão se exigir menos, organizar melhor metas e tarefas e conseguir descansar sem culpa.

O levantamento foi realizado em novembro de 2025, com 1.550 participantes de todas as regiões do país, por meio do aplicativo mobile do PiniOn, com amostra representativa por gênero, faixa etária e classe social.