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NRF 26: marketing é mais sobre conteúdo do que sobre vendas, diz Gary Vaynerchuk

Por: Júlia Rondinelli

Editora-chefe da redação do E-Commerce Brasil

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e especialização em arte, literatura e filosofia pela PUC-RS. Atua no mercado digital desde 2018 com produção técnica de conteúdo e fomento à educação profissional do setor. Além do portal, é editora-chefe da revista E-Commerce Brasil.

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Tornar-se fiel a uma marca é quase como fazer uma nova amizade, explica Gary Vaynerchuk, CEO da VaynerMedia e criador do VeeFriends. É um caminho em que se passa a conhecer, achar interessante, criar intimidade e por fim passar a nutrir sentimentos positivos. “O algoritmo não muda ninguém, mas o algoritmo expõe a todo mundo”, afirma.

Vaynerchuck é empresário e investidor. Há anos, estuda e comenta sobre a disputa de atenção do público pelas redes sociais. Hoje, no palco da NRF 26, o empresário expressou suas opiniões sobre a presença da inteligência artificial no cotidiano das marcas e como aproveitar esse hype para não perder relevância.

A VaynerMedia é uma agência global focada em publicidade criativa para ações de marketing em mídias sociais, atendendo grandes clientes do varejo com conteúdos para o TikTok e Instagram.

O que é marketing, afinal?

O executivo é categórico ao afirmar que as estratégias de performance nas redes sociais não são mais de marketing e sim dos times de vendas. O marketing, na visão dele, é outra coisa, algo muito mais relacionado ao conteúdo e menos à venda em si. As campanhas publicitárias jamais deveriam permitir que vender superasse seu objetivo de engajar.

“Os marketeiros mais interessantes e inteligentes são obcecados por conteúdo, são humildes ao analisar as tendências e focados no que o cliente quer e não somente em vender. Isso diferencia um bom criador de conteúdo de outros”.

Nessa realidade de fronteiras tão tênues e borradas entre venda e conteúdo, ele citou o What Not como exemplo. “O aplicativo What Not é independente e vale entre US$ 7 a US$ 10 milhões de dólares e ninguém dentro da NRF sabe o que é”, afirma. Trata-se de um marketplace cuja navegação é bastante parecida com uma rede social e baseia-se na estratégia de descoberta.

Na visão dele, as novas tendências assustam e nem sempre são adotadas de primeira, mas são essenciais para a sobrevivência e continuidade. “É muito mais fácil para quem começa a entender e implementar logo no começo da novidade, mas qualquer um tem o potencial de viralizar com um vídeo no TikTok hoje se começar agora”, afirma.

“Há alguns anos, em eventos como a própria NRF, falávamos que as redes sociais não eram para o varejo e seria uma tendência passageira. Os lojistas diziam: ‘meu negócio é muito robusto ou sério para atuar no Instagram’. Mas hoje é essencial usá-las não só para vender, mas para ter engajamento, presença de marca e conexão com os clientes, independente do ramo. O mesmo acontece hoje com o live shopping e vemos carros sendo vendidos online a partir de vídeos”, afirma. A IA Agêntica segue a mesma linha de raciocínio e não deve ser ignorada.

De acordo com o executivo, toda tecnologia vem para substituir processos antigos e isso é algo natural, que não pode ser impedido. “Quem aproveitar para entender a tendência antes, acaba saindo na frente na linha da relevância”, afirma.