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O que está por trás da CX que realmente converte no e-commerce

Por: Natália Quadros

VP de Vendas Customer Experience para Brasil e MCLAC Sul na SAP

Natalia Quadros, ingressou na SAP em 2022 como Head of Growth e hoje ocupa a posição de VP de Vendas Customer Experience para Brasil e MCLAC Sul. Com formação em Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul, possui especializações em Estratégia Internacional pela EADA de Barcelona e Comunicação Eficaz pelo MIT, além de MBAs em Marketing e Gestão da Experiência do Cliente pela ESPM. Atua diretamente na conexão de tecnologias com as necessidades do mercado aproximando as mais diversas indústrias da transformação digital. Conta com ampla experiência em inteligência artificial com uso de linguagem natural e fomenta iniciativas de dados e marketing em mais de 40 países.

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Quem está acompanhando os debates mais recentes do varejo digital direto da NRF 2026, em Nova Iorque, já percebeu que a personalização da CX tornou-se um requisito essencial para manter a competitividade do mercado. Em um cenário de múltiplos canais, as jornadas tornam-se cada vez mais fragmentadas, e os consumidores ficam mais exigentes. Converter as pesquisas e as conversas em vendas é uma tarefa que precisa ir além das ofertas atrativas para oferecer a capacidade de reconhecer o contexto e a intenção em cada interação.

Homem barbado e de óculos usando notebook em ambiente de estoque com caixas ao fundo.
Imagem: SAP.

Importância da personalização na jornada de compra

As discussões que acompanhamos no maior evento de varejo do mundo mostram que a conversão está cada vez mais ligada à relevância. Por isso, personalizar a experiência do cliente em escala, com base no comportamento real do consumidor, tornou-se fundamental para transformar o interesse em decisão de compra.

Trata-se de comunicar mais e melhor, conectando marketing, planejamento, merchandising, pós-venda e todas as áreas de um e-commerce dentro de uma mesma lógica operacional.

Nesse contexto, a inteligência artificial atua como um habilitador estratégico. Ao processar grandes volumes de dados em tempo real, a tecnologia permite identificar padrões, antecipar necessidades e ajustar interações no ritmo do cliente. Isso se reflete diretamente na conversão, especialmente quando a personalização da CX considera não apenas histórico, mas também o contexto atual da navegação, da disponibilidade de produtos e da jornada individual.

Desafios de maturidade e tempo para resultados

Para escalar com consistência, o impacto prático da IA depende da maturidade organizacional. Dados da SAP LeanIX mostram que 80% das empresas já usam IA generativa, mas apenas 14% contam com visibilidade adequada para governança, segurança e rastreamento de dados.

Isso influencia a capacidade de transformar tecnologia em resultado sustentável, principalmente quando o objetivo é escalar experiências personalizadas com consistência.

Implementações bem-sucedidas indicam que os primeiros ganhos de valor podem surgir entre três e seis meses, enquanto a consolidação de uma estratégia de personalização inteligente costuma ocorrer entre 12 e 18 meses. Esse intervalo reforça a importância de estabelecer metas claras, integrar dados e alinhar expectativas entre tecnologia, processos e pessoas.

Enquanto isso, a personalização também exige responsabilidade. Os clientes demonstram maior fidelidade quando percebem qualidade e coerência na experiência, ao mesmo tempo em que valorizam o uso transparente e adequado de seus dados. Isso torna a segurança da informação e a qualidade dos dados partes estruturais para a conversão ao longo do tempo.

Outro ponto-chave é a conexão entre essas áreas. Com dados de marketing e vendas conectados, a empresa ganha previsibilidade nas decisões. Mensagens, ofertas e recomendações deixam de ser genéricas e refletem o que faz sentido, reduzindo ruídos e fortalecendo a confiança durante toda a experiência de compra.

O varejo que se prepara para 2026 entende que a personalização não é um projeto isolado, mas um modelo contínuo de evolução. A conversão passa a ser consequência de decisões baseadas em dados confiáveis e de equipes capacitadas para transformar insights em iniciativas.

Entre ser estratégico e adotar novas tecnologias, o caminho é estruturar uma base sólida que permita à IA ser usada de forma estratégica. Quando tudo funciona de maneira coordenada, a personalização fortalece o crescimento de forma consistente, elevando a conversão.

Melhorar a experiência do cliente é mais do que aderir a uma nova tecnologia. A mudança começa quando exercitamos nosso olhar estratégico para as tendências do mercado.