A geração alfa está chegando ao mercado de consumo. Nascidos a partir de 2010, esses jovens ainda não têm renda própria, mas já influenciam as compras da família.
Devemos considerar que a geração alfa é o consumidor, enquanto o shopper são os pais.

E, quando analisamos suas demandas, está muito claro que o comportamento desse grupo já está moldando as práticas do varejo atual.
O principal, então, para os gestores é priorizar a adequação dos negócios aos novos paradigmas das relações de consumo.
Vale o registro de que essa geração está crescendo num mundo bem diferente dos grupos anteriores. Para começar, não sabem o que é viver sem internet móvel ou mesmo IA.
Assim, se a geração Z exigiu uma experiência mobile-first para o e-commerce, a alfa é IA-first.
Na prática, isso significa que experiência de usuário (UX) que não seja instantânea, intuitiva e fluida é imediatamente abandonada. Compras por voz, entregas em duas horas e hiperpersonalização fazem parte da realidade desse grupo.
Outro ponto importante: a relação com o digital é outra, afinal, praticamente cresceram vendo suas vidas sendo registradas nas redes sociais.
Refletindo sobre as mudanças no que diz respeito ao consumo, um dos aspectos a serem observados com atenção é a importância conferida pelo grupo ao figital.
O que é determinante nas decisões de consumo da geração alfa?
Antes de analisarmos o que precisa ser feito para conquistar a atenção desses jovens consumidores, é importante destacarmos insights do estudo recém-divulgado pela WGSN. Eles nos ajudam a entender melhor os impactos no mercado de consumo da chegada dessa geração.
Além do poder de compra (a estimativa mundial é US$ 5,46 trilhões até 2029), é fato que a Gen A, como também é conhecida, deve desafiar ainda mais as marcas do que suas antecessoras.
Como nasceram em um ambiente já impactado pelos problemas gerados pela crise climática, esse grupo tem-se mostrado mais incisivo na cobrança de posicionamento das empresas.
Pesquisa realizada nos EUA, citada no estudo da WGSN, indica que 66% da geração alfa quer comprar de marcas que causam um impacto positivo no mundo.
Esse comportamento está vinculado ao fato de esses jovens serem mais bem informados sobre questões como mudanças climáticas, poluição plástica e perda de biodiversidade do que as gerações anteriores eram na mesma idade.
Uma das consequências é a preferência por produtos ecológicos, como aqueles feitos de materiais reciclados, itens biodegradáveis e embalagens mínimas.
Outro aspecto destacado é a exigência por mais conexão com as marcas, via humor e diversão. Já temos visto a compra ligada ao entretenimento ganhar relevância, e isso deve se acentuar com esse grupo.
A recomendação é que as marcas aproveitem o lado divertido das redes sociais para se aproximar desses jovens consumidores.
E, apesar da relação diferenciada que têm com o digital, é importante observar que essa geração também será a primeira que deve ter seu comportamento influenciado pelos debates vinculados aos males provocados pelas telas.
Pelos problemas ocasionados pelo excesso de uso nos grupos anteriores, a Gen A tem sido orientada a viver outras experiências.
E, da parte dos governos, das empresas e das plataformas digitais, espera-se que criem barreiras de proteção e os incentive a se desconectarem.
Como observado no estudo, o cuidado com o bem-estar mental é um assunto que deve ganhar cada vez mais relevância, estimulando a adoção de iniciativas por parte também dos governos.
Quais estratégias funcionam melhor para esse grupo?
Entre as tendências indicadas pela WGSN, destacam-se:
– Aumento do interesse em produtos de beleza e fragrâncias;
– Preferência por conteúdo de mídia humorístico e lúdico;
– Surgimento de novos ambientes de aprendizagem e tendências de educação domiciliar.
Esses insights são importantes para pensarmos em como melhorar a adesão desses grupos às marcas, mas é relevante analisar também o que pode ser feito em termos de experiência de compra.
Um dos pontos, levando em consideração o comportamento da Gen A, é o desenvolvimento de soluções que permitam às marcas ir além do mobile-first.
Alternativas que já têm sido empregadas, como as pesquisas por voz e imagem, que devem ganhar mais peso nas estratégias.
Temos que levar em conta que a geração alfa usa a fala naturalmente para interagir com a tecnologia.
Nesse contexto, cada vez mais, as lojas devem deixar em segundo plano o emprego apenas de palavras-chave, otimizando o SEO para linguagem coloquial e perguntas completas.
Esse é um aspecto que tem sido trabalhado para tornar o e-commerce mais eficiente para os agentes inteligentes e, ao que tudo indica, logo mais não será mais algo opcional, e sim questão de sobrevivência.
Na mesma linha, é importante redobrar a atenção com a implementação da busca visual (upload de imagem para encontrar produtos semelhantes) no e-commerce.
Nesse “novo” ambiente, também não fará mais sentido adotar checkouts que compliquem a compra do usuário. Ou seja, one-click, carteiras digitais integradas e formulários com preenchimento automático ultraeficientes, soluções que têm ganhado mais atenção, são determinantes para a adesão dos novos consumidores.
Os estudos também confirmam que TikTok, YouTube e plataformas de streaming devem ter cada vez mais importância para as compras.
Estamos falando da necessidade, portanto, de o social commerce ser explorado diretamente dentro dessas plataformas.
A geração alfa vive em bolhas de conteúdo personalizadas por algoritmos. O feed do Instagram de um alfa é radicalmente diferente do de outro.
A implicação disso para o e-commerce é a exigência de priorizar o Conteúdo Gerado pelo Usuário (UGC).
O que pesa, nesse caso, é a autenticidade dos reviews em vídeo, fotos reais de clientes e depoimentos.
Como já citado, crescendo em meio a crises climáticas e movimentos sociais, a geração alfa tende a ser mais consciente do ponto de vista social e ambiental do que as gerações anteriores.
Eles não apenas querem um bom produto; eles querem comprar de uma empresa que reflete seus valores.
Para as empresas, isso significa que devem ser transparentes sobre sua cadeia de suprimentos, políticas de sustentabilidade e impacto social.
E tudo isso deve ser comunicado de forma clara nas interações com os consumidores.
No desenvolvimento das estratégias, algumas questões que devem ser respondidas hoje:
– o site carrega em menos de dois segundos no celular?
– o cliente pode fazer upload de uma foto para encontrar um produto?
– a loja oferece opções de carteira digital e checkout em um clique?
– a marca está criando conteúdo de vídeo curto e autêntico para as plataformas onde eles estão?
– as práticas de sustentabilidade são claras e fáceis de encontrar?
A geração alfa não está esperando o e-commerce se adaptar. Eles já estão aqui, moldando o mundo digital. Portanto, a hora de agir é agora!