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Alibaba avança com IA na integração de serviços

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

A Alibaba está avançando em sua estratégia de inteligência artificial (IA) com foco no desenvolvimento de agentes capazes de integrar diferentes serviços dentro de seu ecossistema digital. A companhia tem ampliado o uso dessa tecnologia para conectar áreas como comércio eletrônico, logística, entretenimento e serviços financeiros em uma única interface baseada em linguagem natural.

Fachada de uma sede do Alibaba.
(Imagem: Divulgação/Alibaba)

Nos últimos meses, a empresa intensificou a implementação de agentes de IA e anunciou uma reestruturação que separa suas iniciativas de IA da divisão de computação em nuvem. Como parte desse movimento, foi criado o Alibaba Token Hub, nova unidade liderada pelo CEO Eddie Wu. A estratégia indica uma mudança de foco para assistentes digitais mais avançados, que demandam maior volume de processamento — medido em tokens — em comparação aos chatbots tradicionais.

A mudança ocorre em um momento de pressão sobre o desempenho financeiro da companhia. Analistas projetam crescimento de 3,8% na receita do terceiro trimestre, enquanto o lucro líquido pode registrar queda de 42,5%. O período inclui o Dia dos Solteiros, principal evento de vendas do varejo chinês.

Diante de um cenário macroeconômico desafiador na China, marcado por baixa confiança do consumidor e impacto da crise imobiliária, a empresa tem buscado novas formas de estimular o consumo. Entre as iniciativas, estão investimentos na expansão do varejo instantâneo — com entregas em até uma hora — e a evolução de seu chatbot proprietário, o Qwen.

A ferramenta passou a incorporar funcionalidades transacionais, permitindo que usuários realizem compras diretamente por meio de conversas. Em fevereiro, uma campanha de cupons no valor de 3 bilhões de yuans (cerca de US$ 435,7 milhões) incentivou o uso da funcionalidade, mas a alta demanda levou à suspensão temporária do aplicativo.

Especialistas apontam que a integração de múltiplos serviços em uma única interface conversacional pode alterar significativamente o comportamento do consumidor. O diferencial competitivo do Alibaba estaria na capacidade de operar toda a jornada — do atendimento à entrega — dentro de sua própria infraestrutura.

O movimento ocorre em um ambiente competitivo, com outras empresas chinesas também investindo em agentes de IA. A Tencent segue estratégia semelhante, enquanto a ByteDance atua como intermediária, conectando usuários a serviços de terceiros dentro de seus aplicativos.

Além das aplicações voltadas ao consumidor, o Alibaba também ampliou sua atuação no segmento corporativo. Nesta semana, a empresa lançou o Wukong, uma plataforma de IA focada em automação de tarefas empresariais. A solução permite coordenar múltiplos agentes para executar atividades como edição de documentos, análise de dados, transcrição de reuniões e pesquisas em uma única interface.

A aposta em agentes de IA também tem relação direta com monetização. Esses sistemas consomem significativamente mais tokens do que interações tradicionais, o que pode ampliar receitas em um contexto de queda nos preços dessa unidade de processamento, pressionados pela concorrência entre empresas que oferecem modelos de código aberto.

Apesar dos avanços, a companhia enfrenta desafios internos na área de IA. A saída recente de executivos da divisão responsável pelo modelo Qwen levanta questionamentos sobre retenção de talentos e continuidade da estratégia tecnológica. Ainda assim, analistas avaliam que a estrutura da empresa e sua capacidade técnica podem mitigar impactos no curto prazo.