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2026 - fim do marketplace generalista? Por que os verticais estão crescendo mais rápido

Por: Mariana Mantovani

Gerente de Marketplace na RD - RaiaDrogasil

Mariana Mantovani é especialista em Marketplace e E-commerce. Com mais de 15 anos de experiência no ecossistema digital, sempre atuou em empresas de referência como Netshoes, Electrolux, Mercado Livre e RD Saúde, com foco em e-commerce, marketplaces, liderança de times de performance, e desenvolvimento de negócios.

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Durante anos, o modelo de marketplace generalista dominou o comércio digital. A lógica era simples: quanto mais categorias, mais sellers, mais audiência e, consequentemente, mais escala. Esse modelo foi fundamental para a digitalização do consumo e para a consolidação do e-commerce como o conhecemos hoje. Mas, à medida que o mercado amadurece, uma pergunta começa a ganhar força: em 2026, ainda haverá espaço para marketplaces que tentam ser tudo para todos?

Notebook em um ambiente minimalista, com a tela dividida entre “Marketplace Generalista” e “Marketplace Vertical”.
Imagem gerada por IA.

Os números e o comportamento do mercado indicam uma mudança clara de direção. Marketplaces verticais, ou seja, focados em nichos específicos, segmentos bem definidos ou cadeias produtivas especializadas, estão crescendo mais rápido, com margens melhores e maior fidelização. E isso não é coincidência.

Especialização como vantagem competitiva

Esse movimento tem acontecido e ganhado força porque o consumidor mudou (e muito) nos últimos anos, forçando a mudança de postura, entregas, jornada de compras e experiência por parte das grandes plataformas.

Ao fazermos uma análise rápida, o principal ativo dos grandes marketplaces generalistas sempre foi a escala. No entanto, a escala por si só já não garante diferenciação. Em plataformas muito amplas, a competição por preço se intensifica, a experiência do usuário se fragmenta e o valor percebido diminui.

os marketplaces verticais constroem relevância. Eles entendem profundamente as dores, as regras, os ciclos de compra e as particularidades de um setor específico. Isso se traduz em curadoria mais eficiente, linguagem adequada, serviços especializados e uma experiência muito mais aderente às expectativas do cliente.

O papel da inteligência e confiança no comércio digital

Em mercados cada vez mais complexos, como o que vivemos atualmente, o consumidor busca mais do que conveniência. Ele busca confiança, e ela nasce da especialização. Por isso que marketplaces verticais se posicionam como autoridade em seus segmentos. Eles conhecem as normas, certificações, padrões técnicos, sazonalidades e riscos envolvidos em cada tipo de compra. Isso reduz incertezas, encurta o ciclo de decisão e aumenta o ticket médio.

Outro fator decisivo é a qualidade da inteligência de mercado gerada. Em plataformas generalistas, os dados são amplos, mas muitas vezes superficiais e raros. Nos verticais, os dados são mais profundos, contextualizados e diretamente conectados à tomada de decisão.

Esse nível de detalhe permite prever demanda com mais precisão, identificar tendências específicas de um setor, apoiar inovação de produtos e oferecer insights estratégicos reais aos sellers e parceiros. Para empresas que operam nesses ecossistemas, essa inteligência é tão valiosa quanto o próprio canal de vendas.

Por fim, falar em “fim” dos marketplaces generalistas talvez seja um exagero. Eles continuarão relevantes, especialmente em compras de conveniência e alto giro. Mas o crescimento acelerado, a inovação e o maior valor estratégico estão migrando para os verticais. Por isso, a máxima de 2026 é entender que, no mundo digital atual, relevância vence volume.