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Quem é o consumidor digital em 2026? Entenda o perfil e como vender para ele

Por: Fabio Ludke

Fabio Ludke é o Gerente de YouTube no Ecommerce na Prática, a maior escola de e-commerce do mundo. Empresário, consultor de Ecommerce e mestre em engenharia, Fabio atua no e-commerce desde 2018.

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Vender no e-commerce em 2026 exige muito mais do que apenas colocar um produto no ar.

O cenário mudou porque o comportamento de quem compra mudou: o consumidor está mais analítico, menos impulsivo e muito mais atento aos detalhes que envolvem a experiência de compra.

Mulher deitada no chão da sala, sorrindo, segura cartão de crédito enquanto faz compra em notebook, com sacolas de compras ao seu redor.
Imagem: Envato.

O cliente agora avalia cuidadosamente onde vale a pena investir seu dinheiro e sua confiança.

Para o lojista, entender essa mudança de mentalidade é o primeiro passo para se manter competitivo frente aos concorrentes.

Mas, afinal, quem é esse novo comprador e o que ele prioriza hoje?

Neste artigo, vamos analisar o perfil desse público com base nos dados e tendências do relatório E-CONSUMIDOR 2026 – O Retrato das Compras Online no Brasil, da Nuvemshop.

O comportamento do consumidor hoje

O comprador brasileiro passou a agir como um estrategista que equilibra preço, frete e segurança.

Ele busca um valor que supere a experiência da loja física, mas não compra por impulso no primeiro link que aparece. A decisão hoje passa por uma análise muito mais racional de custo-benefício.

Sabe a velha base formada por preços baixos e frete grátis? Ela ainda dita o ritmo do mercado, sendo os principais motivadores para 40% e 39% das compras, respectivamente, segundo o relatório.

No entanto, o preço sozinho não faz milagre se a logística for um ponto de atrito.

Para você ter uma ideia, um frete muito caro afasta 57% dos potenciais clientes, enquanto prazos de entrega muito longos barram 35% das vendas.

Nesse cenário, a logística precisa ser vista como ferramenta de conversão pelo pequeno e médio lojista, deixando de ser tratada apenas como um detalhe operacional.

Em termos práticos, o cliente quer fluidez: ele aceita que o produto tenha um valor competitivo, mas exige que a entrega seja rápida e, de preferência, barata para fechar o carrinho.

É por isso que o sucesso de uma operação em 2026 depende menos de anúncios barulhentos e muito mais de uma estrutura que não dê sustos no checkout.

Outro ponto importante é que esse perfil valoriza a transparência. Ele não quer apenas comprar, mas saber onde o pedido está em cada etapa do caminho.

Se o lojista falha na promessa de entrega ou não oferece notificações claras, a confiança na marca despenca, o que torna o pós-venda tão importante quanto o momento da venda em si.

O equilíbrio entre marketplace e loja virtual

Ao contrário do que muitos pensam, a questão aqui não é escolher um lado. Você deve entender como os dois canais se complementam para elevar ainda mais os resultados.

O marketplace funciona como um motor de aquisição, dando visibilidade imediata e conveniência.

O relatório da Nuvemshop mostra como as expectativas mudam de acordo com o canal escolhido:

Marketplace: é o canal preferido de 73,9% dos consumidores, onde 56,4% esperam encontrar a melhor oferta e praticidade para comparar preços;

– Loja virtual: a confiança fala mais alto. 69,1% preferem o site oficial para garantir produtos originais e 46,4% voltariam ao site após uma boa experiência (contra 31,3% no marketplace).

Essa diferença acontece porque a loja virtual é onde o lojista cultiva um relacionamento autêntico. O sentimento de se sentir valorizado é mais forte no canal próprio: enquanto o marketplace foca na transação, a loja virtual foca na retenção.

No fim, um bom caminho é ter um equilíbrio multicanal. Use o alcance das grandes plataformas para atrair público, mas invista no seu site para aprofundar a conexão.

A nova jornada do consumidor digital é múltipla e imprevisível

Esqueça o caminho linear de simplesmente clicar e comprar. Quem compra online hoje vai e vem entre o físico e o digital.

Ou seja, o consumidor transita por diversos pontos de contato para validar a decisão antes de gastar.

É comum que o cliente pesquise tudo online, compare preços e leia avaliações, mas prefira finalizar a compra em uma loja física para ter o produto em mãos na hora ou fugir do frete.

O contrário também acontece: ele vai até a loja para testar o produto e conferir o material, mas fecha o pedido pelo celular para aproveitar um cupom ou condição melhor do site.

Assim, dá para dizer que os canais não competem mais; eles se completam. Redes sociais, Google e lojas físicas formam um ecossistema único.

Caso a sua marca não esteja presente e integrada nessas etapas, há grandes chances de você acabar servindo apenas como balcão de pesquisa para a venda que o concorrente vai fechar.

Gráfico mostrando onde consumidores iniciam buscas online, com marketplaces (45,5%) e Google (38,8%) liderando.
Fonte: E-CONSUMIDOR 2026.

O desafio é manter a comunicação unificada. Não importa onde o contato comece, o cliente espera que a experiência e a confiança sejam as mesmas.

Em uma jornada imprevisível, ganha quem facilita a transição entre o online e o offline.

Como vender para o consumidor online em 2026, afinal?

O foco principal para converter esse novo perfil deve ser a diminuição do risco da compra.

Como aponta o relatório, 43,2% dos consumidores acham cansativo escolher entre tantas marcas, por isso sua estratégia deve focar em transformar seu negócio em uma escolha óbvia e segura.

Tenha em mente que o comprador de hoje quer ter certeza de que não vai se arrepender do dinheiro que está gastando.

Cativá-lo exige provas reais de confiança. Destaque depoimentos e mantenha um atendimento redondo, a fim de remover o peso da dúvida que trava a venda no checkout.

No fim do dia, você vai perceber que uma vez que a barreira da primeira compra é quebrada, a fidelização acontece pela consistência.

Não à toa, os dados mostram que 67,2% dos consumidores tendem a ser leais às marcas que já conhecem, o que reforça a importância de uma entrega sem erros.

Assim, se a primeira experiência foi positiva, você vira o atalho preferido para as próximas necessidades.

A pessoa volta a comprar de você porque já sabe que o processo funciona e prefere a segurança do que já conhece ao esforço de ter que testar um novo concorrente.

IA nas compras: a nova aliada do consumidor

A inteligência artificial já está presente na rotina de quem compra online e serve como um atalho para ganhar tempo.

O uso dela ocorre mais na fase de análise e comparação, funcionando como um suporte para a pessoa decidir ou não pela compra.

Segundo o levantamento, 48,19% usam para comparar as vantagens de diferentes produtos, enquanto 46,89% buscam a tecnologia para tirar dúvidas técnicas ou entender o funcionamento de itens específicos.

Além disso, 32,38% dos compradores utilizam a ferramenta para perguntar qual o melhor momento para comprar um produto ou pedir para encontrar cupons de desconto.

No geral, esse cenário mostra que o comprador valoriza o próprio tempo e quer ter certeza de que está fazendo um bom negócio.

Para quem vende online, o aprendizado que fica é o seguinte: em 2026, o sucesso não virá de uma ferramenta isolada, mas de quão bem você simplifica a jornada do cliente.

Se você unir a agilidade da IA com uma logística transparente e um suporte que resolve, certamente a sua loja deixará de ser só mais uma aba aberta no navegador dos clientes.

Ela vai virar uma espécie de atalho de confiança para quem está comprando em meio a tantas opções. Lembre-se de que o cliente só quer a segurança de que escolheu certo. Faça isso acontecer.